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Nominalismo

Origem: Wikipedia, a enciclopedia livre.

Na Metafisica, o nominalismo e a visao de que objetos universais e abstratos nao existem de fato alem de serem apenas nomes ou rotulos.[1][2] Existem pelo menos duas versoes principais de nominalismo. Uma versao nega a existencia de universais - coisas que podem ser instanciadas ou exemplificadas por muitas coisas particulares (por exemplo, forca, humanidade). A outra versao nega especificamente a existencia de objetos abstratos - objetos que nao existem no espaco e no tempo.[3]

A maioria dos nominalistas sustentou que apenas os particulares fisicos no espaco e no tempo sao reais, e que os universais existem apenas post res, isto e, subsequentes a coisas particulares. No entanto, algumas versoes do nominalismo sustentam que alguns particulares sao entidades abstratas (por exemplo, numeros), enquanto outros sao entidades concretas - entidades que existem no espaco e no tempo (por exemplo, pilares, cobras, bananas).[4]

O nominalismo e principalmente uma posicao sobre o problema dos universais, que remonta pelo menos a Platao e se opoe a filosofias realistas, como o realismo platonico, que afirmam que os universais existem alem dos particulares e a teoria da substancia hilomorfica de Aristoteles, que afirma que os universais sao imanentemente reais dentro deles. No entanto, o nome "nominalismo" surgiu de debates na filosofia medieval com Roscellinus.[5]

O termo "nominalismo" deriva do latim nomen, "nome". John Stuart Mill resumiu o nominalismo na expressao "nao ha nada geral, exceto nomes".[6]

Na filosofia do direito, o nominalismo encontra sua aplicacao no que se chama nominalismo constitucional.[7]

Historia (antirrealismo)

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Na filosofia analitica, o antirrealismo e uma posicao que abrange muitas variedades, como metafisica, matematica, semantica, cientifica, moral e epistemica. O termo foi articulado pela primeira vez pelo filosofo britanico Michael Dummett em um argumento contra uma forma de realismo que Dummett via como "reducionismo incolor".[8][9][10][11]

No antirrealismo, a verdade de uma afirmacao repousa em sua demonstrabilidade por meio de mecanismos logicos internos, como o principio de contexto ou logica intuicionista, em oposicao direta a nocao realista de que a verdade de uma afirmacao repousa em sua correspondencia com um realidade. No antirrealismo, essa realidade externa e hipotetica e nao e assumida.[8][9][10][11]

O antirrealismo em seu sentido mais geral pode ser entendido como sendo em contraste com um realismo generico, que sustenta que objetos distintos de um assunto existem e tem propriedades independentes de suas crencas e esquemas conceituais. As maneiras pelas quais o antirrealismo rejeita esse tipo de alegacao podem variar drasticamente. Como isso abrange declaracoes contendo objetos abstratos ideais (ou seja, objetos matematicos), o antirrealismo pode se aplicar a uma ampla gama de topicos filosoficos, de objetos materiais a entidades teoricas da ciencia, declaracoes matematicas, estados mentais, eventos e processos, passado e o futuro.[11]

Pressupostos

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O nominalismo e a doutrina que nao admite a existencia do universal (conceito abstrato), nem no mundo material, nem no mundo inteligivel.[12] Surgiu na sua forma mais radical no seculo XI por intermedio de Roscelino de Compiegne. Esse atribuia universalidade aos nomes, dai a origem do termo.[12]

Do ponto de vista ontologico, o nominalismo aplica-se as concepcoes filosoficas que tem por objeto a reducao dos constituintes ultimos do real aos objetos singulares (aos individuos); reduz, portanto, todas as entidades a particulares. Nesta medida, o universal respeita o conceito pelo qual se designa um conjunto de individuos.[13]

Segundo Leibniz, "sao nominalistas todos os que acreditam que, alem das substancias singulares, so existem os nomes puros e, portanto, eliminam a realidade das coisas abstratas e universais".[14]

Surgimento e desenvolvimento

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Surge como uma possivel solucao a questao: o universal (conceito, ideia ou essencia comum a todas as coisas que indicamos pelo mesmo nome) e algo de real ou nao sera antes um ato simples de nossa mente expresso por um nome? Os conceitos sao realidade (res) ou palavras (vocis)?[15]

Tres solucoes fundamentais desse problema sao: o realismo, o conceitualismo e o nominalismo.

  • Para o nominalismo, o universal e um puro nome, um flatus vocis (pura emissao fonetica).
  • Para o realismo, os universais existem objetivamente, seja na forma de realidades em si, transcendentes em relacao aos particulares (como em Platao, universais ante rem), ou como imanentes encontrados nas coisas individuais (como para Aristoteles, universidade in re).
  • Para o conceitualismo, os universais sao apenas conteudos de nossa mente, inteligiveis ou conceitos, representacoes do intelecto que as deriva das coisas (universalia post rem) e dessas guarda alguma semelhanca.[15]

A questao dos universais, inicialmente logico-gramatical, estendeu-se para os problemas teologicos e metafisicos, atingindo o conjunto de dogmas da igreja crista. Por exemplo, Joao Roscelino, mestre de Abelardo, com seu conceitualismo coloca em duvida o dogma trinitario de Deus: a unica substancia divina nao passa de um nome, as tres pessoas (Pai, Filho e Espirito Santo) sao tres substancias diversas, indicadas por um nome comum. Assim surgiu a heresia do triteismo, condenada em 1092 pelo Concilio de Reims, no qual muitos temiam pelas verdades da fe.[15]

Abelardo foi um dos principais promotores da logica ate o seculo XIII. Sua obra "Dialetica" libertava a logica da metafisica dando-lhe autonomia.[15]

Nominalismo de semelhanca

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Os metafisicos dizem coisas diferentes sobre a relacao entre um particular e um universal. Para um realista, um particular e uma instancia de um genero universal, enquanto para um nominalista, nao ha tal genero universal. Mas, entao, qual o fundamento da aplicacao de um mesmo predicado (o qual denota um universal) a varios particulares? Esse e um problema para os nominalistas, e uma maneira de responde-lo e o nominalismo de semelhanca.[15]

Segundo o nominalismo de semelhanca, o fundamento da aplicacao de um mesmo predicado a diferentes particulares esta no fato de que ha alguma semelhanca entre os mesmos. Para os nominalistas de semelhanca, a semelhanca nao e um fruto da pertenca dos particulares a um mesmo universal como instancias do mesmo, mas sim o fundamento ultimo da atribuicao do mesmo predicado a diferentes particulares que sejam semelhantes. Assim, por exemplo, os particulares que colocamos sob o predicado "tomate" nao sao instancias do universal "tomatidade", sao apenas particulares que sao semelhantes entre si, e o mesmo podemos dizer das coisas que sao verdes, pesadas, douradas etc.[16]

Dentre os principais nominalistas de semelhanca estao os filosofos David Hume, H. H. Price,[17] e Rudolf Carnap,[18] Ludwig Wittgenstein, com sua proposta de ver as instancias de um predicado como tendo em comum uma "semelhanca de familia", tambem pode ser visto como o defensor de uma variedade de nominalismo de semelhanca.[19] Dentre os filosofos da nova geracao, Gonzalo Rodriguez-Pereira e um dos principais defensores do nominalismo de semelhanca.[20]

Influencia do nominalismo na formacao da modernidade

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Recentemente, considera-se na academia que a modernidade e a Idade Contemporanea sao dois periodos profundamente influenciados pelo projeto nominalista. O pesquisador norte-americano Michael Allen Gillespie defende que apesar do secularismo dominante nesses dois periodos historicos, o projeto moderno tem raizes firmemente estabelecidas no sagrado.[21] Ao preservar a unicidade de Deus do que era percebido como um racionalismo perigoso como o de Tomas de Aquino, os nominalistas "puseram o mundo de cabeca para baixo. Para [eles], todos os seres reais eram individuais ou particulares, os universais eram mera ficcao".[21]

Essa posicao e confirmada pelo brasileiro Victor Bruno, que considera que a enfase no individuo ou particular a primeira evidencia da fratura do sistema medieval: "O desmembramento dos particulares, a conferencia indevida aos individuos a um status de possibilidade de totalizacao em si mesmos descambara numa fissura existencial objetiva e material. O primeiro estagio dessa fissura sera o fim do regime feudal e a elaboracao tentativa da emergencia dos Estados nacionais".[22] Apesar de associar o nominalismo com a modernidade, o autor tambem enxerga no Budismo elementos gnosiologicos analogos ao do nominalismo.[15]

Filosofia grega antiga

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Platao foi talvez o primeiro escritor da filosofia ocidental a afirmar claramente uma posicao realista, ou seja, nao nominalista:[23]

... Costumamos hipotetizar uma unica forma em conexao com cada uma das muitas coisas as quais aplicamos o mesmo nome.... Por exemplo, ha muitas camas e mesas.... Mas existem apenas duas formas de tal mobiliario, uma de cama e outra de mesa. ( Republica 596a-b, trad. Grube) Que tal alguem que acredita em coisas bonitas, mas nao acredita no belo em si...? Voce nao acha que ele esta vivendo em um sonho ao inves de um estado desperto? (Republica 476c)[23]

Os universais platonicos correspondentes aos nomes "cama" e "belo" eram a Forma da Cama e a Forma do Belo, ou a Cama em Si e o Belo em Si. As Formas Platonicas foram os primeiros universais postulados como tal na filosofia.[23]

Nosso termo "universal" deve-se a traducao inglesa do termo tecnico de Aristoteles, katholou, que ele cunhou especialmente com o proposito de discutir o problema dos universais. Katholou e uma contracao da frase "kata holou", que significa "no todo".[23]

Aristoteles rejeitou notoriamente certos aspectos da Teoria das Formas de Platao, mas tambem rejeitou claramente o nominalismo:[23]

... 'Homem', e de fato todo predicado geral, significa nao um individuo, mas alguma qualidade, ou quantidade ou relacao, ou algo desse tipo. (Refutacoes Sofisticas xxii, 178b37, trad. Pickard-Cambridge)[23]

Os primeiros filosofos a descrever explicitamente os argumentos nominalistas foram os estoicos, especialmente Crisipo.[24][25]

Filosofia medieval

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Na filosofia medieval, o filosofo e teologo frances Roscellinus (c. 1050 - c. 1125) foi um dos primeiros e proeminentes proponentes do nominalismo. As ideias nominalistas podem ser encontradas na obra de Pedro Abelardo e atingiram seu florescimento em William de Ockham, que foi o nominalista mais influente e completo.[15]

A versao de nominalismo de Abelardo e Ockham e as vezes chamada de conceitualismo, que se apresenta como um meio-termo entre o nominalismo e o realismo, afirmando que ha algo em comum entre individuos semelhantes, mas que e um conceito na mente, em vez de uma entidade real que existe independentemente da mente. Ockham argumentou que so existiam individuos e que os universais eram apenas formas mentais de se referir a conjuntos de individuos.[15]

"Eu mantenho", escreveu ele, "que um universal nao e algo real que existe em um sujeito... mas que ele tem um ser apenas como um objeto de pensamento na mente [objectivum in anima]". Como regra geral, Ockham argumentou contra a suposicao de quaisquer entidades que nao fossem necessarias para explicacoes.[15]

Assim, ele escreveu, nao ha razao para acreditar que existe uma entidade chamada "humanidade" que reside dentro, digamos, Socrates, e nada mais e explicado fazendo essa afirmacao, o principio de que a explicacao de qualquer fenomeno deve fazer o minimo de suposicoes possivel. Os criticos argumentam que as abordagens conceitualistas respondem apenas a questao psicologica dos universais.[15]

Se o mesmo conceito e aplicado de forma correta e nao arbitraria a dois individuos, deve haver alguma semelhanca ou propriedade compartilhada entre os dois individuos que justifique sua queda sob o mesmo conceito e esse e apenas o problema metafisico que os universais foram trazidos para resolver, o ponto de partida de todo o problema (MacLeod & Rubenstein, 2006, SS3d). Se as semelhancas entre os individuos sao afirmadas, o conceitualismo torna-se realismo moderado; se forem negados, desmorona no nominalismo.[15]

Filosofia moderna e contemporanea

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Na filosofia moderna, o nominalismo foi revivido por Thomas Hobbes[26]e Pierre Gassendi.[27] Na filosofia analitica contemporanea, foi defendida por Rudolf Carnap,[28] Nelson Goodman,[29] H.H. Price[28] e D.C. Williams.[30]

Ultimamente, alguns estudiosos vem questionando que tipo de influencias o nominalismo pode ter tido na concepcao de modernidade e contemporaneidade. Segundo Michael Allen Gilllespie, o nominalismo influencia profundamente esses dois periodos. Embora a modernidade e a contemporaneidade sejam eras seculares, suas raizes estao firmemente estabelecidas no sagrado. Alem disso, "o nominalismo virou este mundo de cabeca para baixo", argumenta ele. "Para os nominalistas, todo ser real era individual ou particular e os universais eram, portanto, meras ficcoes." [31]

Outro estudioso, Victor Bruno, segue a mesma linha. Segundo Bruno, o nominalismo e um dos primeiros sinais de ruptura no sistema medieval. "O desmembramento dos particulares, a perigosa atribuicao aos individuos de um status de totalizacao de possibilidades em si mesmos, tudo isso se desdobrara em uma fissura existencial ao mesmo tempo objetiva e material. estado-nacao".[31]

Filosofia indiana

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A filosofia indiana abrange varias tradicoes realistas e nominalistas. Certas escolas hindus ortodoxas defendem a posicao realista, notadamente Purva Mimamsa, Nyaya e Vaisheshika, sustentando que o referente da palavra e tanto a coisa individual percebida pelo sujeito do conhecimento quanto a classe a que a coisa pertence. De acordo com o realismo indiano, tanto o individuo quanto a classe tem existencia objetiva, sendo a segunda subjacente a primeira.[32]

Os budistas assumem a posicao nominalista, especialmente os da escola Sautrantika e Yogacara; eles eram da opiniao de que as palavras tem como referente nao objetos verdadeiros, mas apenas conceitos produzidos no intelecto. Esses conceitos nao sao reais, pois nao possuem existencia eficiente, ou seja, poderes causais. As palavras, como convencoes linguisticas, sao uteis ao pensamento e ao discurso, mas, mesmo assim, nao se deve aceitar que as palavras apreendem a realidade como ela e.[32]

Dignaga formulou uma teoria nominalista do significado chamada apoha, ou teoria das exclusoes. A teoria procura explicar como e possivel que as palavras se refiram a classes de objetos mesmo que nenhuma classe tenha uma existencia objetiva. A tese de Dignaga e que as classes nao se referem a qualidades positivas que seus membros compartilham em comum. Pelo contrario, as classes sao exclusoes (apoha). Como tal, a classe "vaca", por exemplo, e composta por todas as exclusoes comuns a vacas individuais: todas sao nao-cavalos, nao-elefantes, etc.[32] Entre os realistas hindus, esta tese foi criticada por ser negativa.[32]

O problema dos universais

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O nominalismo surgiu em reacao ao problema dos universais, explicando especificamente o fato de que algumas coisas sao do mesmo tipo. Por exemplo, Mimi e Kitty sao ambos gatos, ou o fato de que certas propriedades sao repetiveis, como: a grama, a camisa e Caco, o Sapo, sao verdes. Quer-se saber em virtude do que sao Mimi e Kitty, ambos gatos, e o que torna a grama, a camisa e o sapo sao verdes.[33]

A resposta platonica e que todas as coisas verdes sao verdes em virtude da existencia de um universal: uma unica coisa abstrata que, neste caso, faz parte de todas as coisas verdes. Com relacao a cor da grama, da camisa e do Caco, uma de suas partes e identica. A este respeito, as tres partes sao literalmente uma. O verde e repetivel porque ha uma coisa que se manifesta onde quer que haja coisas verdes.[33]

O nominalismo nega a existencia de universais. A motivacao para isso decorre de varias preocupacoes, sendo a primeira delas onde elas podem existir. Platao sustentou, em uma interpretacao, que ha um reino de formas abstratas ou universais a parte do mundo fisico. Objetos fisicos particulares meramente exemplificam ou instanciam o universal. Mas isso levanta a questao: onde esta esse reino universal? Uma possibilidade e que esteja fora do espaco e do tempo. Uma visao simpatizante dessa possibilidade sustenta que, precisamente porque alguma forma e imanente em varios objetos fisicos, ela tambem deve transcender cada um desses objetos fisicos; desse modo, as formas sao "transcendentes" apenas na medida em que sao "imanentes" em muitos objetos fisicos.[34][33]

Em outras palavras, imanencia implica transcendencia; eles nao se opoem um ao outro. Nem, nesta visao, haveria um "mundo" ou "reino" separado de formas que e distinto do mundo fisico, evitando assim muito da preocupacao sobre onde localizar um "reino universal". No entanto, os naturalistas afirmam que nada esta fora do espaco e do tempo. Alguns neoplatonicos, como o filosofo pagao Plotino e o filosofo cristao Agostinho, insinuam (antecipando o conceitualismo) que os universais estao contidos na mente de Deus. Para complicar as coisas, qual e a natureza da relacao de instanciacao ou exemplificacao?[33]

Os conceitualistas mantem uma posicao intermediaria entre o nominalismo e o realismo, dizendo que os universais existem apenas dentro da mente e nao tem realidade externa ou substancial. Os realistas moderados sustentam que nao existe um reino no qual existam universais, mas sim que os universais estao localizados no espaco e no tempo onde quer que se manifestem. Agora, lembre-se de que um universal, como o verde, deve ser uma unica coisa. Os nominalistas consideram incomum que possa haver uma unica coisa que exista em varios lugares simultaneamente.[33]

O realista sustenta que todas as instancias de verde sao mantidas juntas pela relacao de exemplificacao, mas essa relacao nao pode ser explicada. Alem disso, na lexicologia como argumento contra o realismo das cores; ha o tema da distincao azul-verde; onde em algumas linguas as palavras equivalentes para azul e verde podem ser unidas e tambem pode nao haver uma traducao direta, em japones Qing (geralmente traduzido como "azul")); as vezes e usado para palavras que em ingles podem ser consideradas "verdes" (como macas).[35]

Finalmente, muitos filosofos preferem ontologias mais simples povoadas apenas com o minimo de tipos de entidades, ou como W.V.O. Quine disse "Eles tem um gosto por 'paisagens deserticas'." Eles tentam expressar tudo o que querem explicar sem usar universais como "gato" ou "verde".[33][35]

Variedades

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Existem varias formas de nominalismo que vao do extremo ao quase realista. Um extremo e o nominalismo de predicados, que afirma que Mimi e Kitty, por exemplo, sao ambos gatos simplesmente porque o predicado 'e um gato' se aplica a ambos. E este e o caso de toda similaridade de atributo entre objetos. A principal critica a essa visao e que ela nao fornece uma solucao suficiente para o problema dos universais. Ele nao fornece uma explicacao do que faz com que um grupo de coisas justifique ter o mesmo predicado aplicado a eles.[36]

Os defensores do nominalismo de semelhanca acreditam que 'gato' se aplica a ambos os gatos porque Fluffy e Kitzler se assemelham a um gato exemplar o suficiente para serem classificados junto com ele como membros de sua especie, ou que diferem um do outro (e de outros gatos) muito menos do que eles diferem de outras coisas, e isso garante classifica-los juntos. Alguns nominalistas de semelhanca admitirao que a relacao de semelhanca e ela mesma um universal, mas e o unico universal necessario. Outros argumentam que cada relacao de semelhanca e um particular, e e uma relacao de semelhanca simplesmente em virtude de sua semelhanca com outras relacoes de semelhanca. Isso gera uma regressao infinita, mas muitos argumentam que nao e vicioso.[36][37][38][39]

O nominalismo de classe argumenta que a associacao de classe forma o suporte metafisico para as relacoes de propriedade: duas bolas vermelhas particulares compartilham uma propriedade na medida em que ambas sao membros de classes correspondentes as suas propriedades - a de ser vermelha e ser bola. Uma versao do nominalismo de classe que ve algumas classes como "classes naturais" e defendida por Anthony Quinton.[36][37][38][39]

O conceitualismo e uma teoria filosofica que explica a universalidade dos particulares como estruturas conceituais situadas dentro da mente pensante. A visao conceitualista aborda o conceito metafisico de universais de uma perspectiva que nega sua presenca em particulares fora da percepcao da mente deles.[36][37][38][39]

Outra forma de nominalismo e o nominalismo tropo. Um tropo e uma instancia particular de uma propriedade, como o verde especifico de uma camisa. Pode-se argumentar que existe uma relacao de semelhanca primitiva e objetiva que se mantem entre tropos semelhantes. Outra rota e argumentar que todos os tropos aparentes sao construidos a partir de tropos mais primitivos e que os tropos mais primitivos sao as entidades da fisica completa. A semelhanca do tropo primitivo pode, assim, ser explicada em termos de indiscernibilidade causal. Dois tropos sao exatamente parecidos se a substituicao de um pelo outro nao fizesse diferenca nos eventos dos quais eles estao participando. Graus variados de semelhanca no nivel macro podem ser explicados por graus variados de semelhanca no nivel micro, e a semelhanca no nivel micro e explicada em termos de algo nao menos robusto do que o poder causal. David Armstrong, talvez o realista contemporaneo mais proeminente, argumenta que tal variante do nominalismo baseada em tropos e promissora, mas sustenta que e incapaz de explicar as leis da natureza da maneira que sua teoria dos universais pode.[36][37][38][39]

Ian Hacking tambem argumentou que muito do que e chamado de construcionismo social da ciencia nos tempos contemporaneos e, na verdade, motivado por uma visao metafisica nominalista nao declarada. Por esta razao, ele afirma, cientistas e construcionistas tendem a "gritar uns pelos outros".[36][37][38][39]

Nominalismo matematico

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A nocao de que a filosofia, especialmente a ontologia e a filosofia da matematica, deve abster-se da teoria dos conjuntos deve muito aos escritos de Nelson Goodman (ver especialmente Goodman 1940 e 1977), que argumentou que existem entidades concretas e abstratas sem partes, chamadas de individuos.[40]

Colecoes de individuos tambem existem, mas duas colecoes com os mesmos individuos sao a mesma colecao. Goodman estava se baseando fortemente no trabalho de Stanislaw Lesniewski, especialmente sua mereologia, que era em si uma reacao aos paradoxos associados a teoria dos conjuntos de Cantor. Lesniewski negou a existencia do conjunto vazio e sustentava que qualquer singleton era identico ao individuo dentro dele. As classes correspondentes ao que se considera serem especies ou generos sao somas concretas de seus individuos constituintes concretos. Por exemplo, a classe dos filosofos nada mais e do que a soma de todos os filosofos concretos e individuais.[41]

O principio da extensionalidade na teoria dos conjuntos nos assegura que qualquer par de chaves que envolva uma ou mais instancias dos mesmos individuos denota o mesmo conjunto. Portanto, {a, b}, {b, a}, {a, b, a, b} sao todos o mesmo conjunto. Para Goodman e outros proponentes do nominalismo matematico, {a, b} tambem e identico a {a, {b}}, {b, {a, b}} e qualquer combinacao de chaves correspondentes e uma ou mais instancias de a e b, desde que a e b sejam nomes de individuos e nao de colecoes de individuos. Goodman, Richard Milton Martin e Willard Quine todos defenderam o raciocinio sobre coletividades por meio de uma teoria de conjuntos virtuais (ver especialmente Quine 1969), uma que torna possivel todas as operacoes elementares em conjuntos, exceto que o universo de uma variavel quantificada nao pode conter nenhum conjunto virtual.[41]

Nos fundamentos da matematica, o nominalismo passou a significar fazer matematica sem assumir que existem conjuntos no sentido matematico. Na pratica, isso significa que as variaveis quantificadas podem abranger universos de numeros, pontos, pares ordenados primitivos e outras primitivas ontologicas abstratas, mas nao sobre conjuntos cujos membros sao tais individuos. Ate hoje, apenas uma pequena fracao do corpus da matematica moderna pode ser rederivada de forma nominalista.[41]

Criticas

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Critica as origens historicas do termo

Como categoria do pensamento medieval tardio, o conceito de "nominalismo" tem sido cada vez mais questionado. Tradicionalmente, o seculo XIV tem sido considerado o auge do nominalismo, com figuras como John Buridan e William de Ockham vistos como figuras fundadoras.[42] No entanto, o conceito de 'nominalismo' como um movimento (geralmente contrastado com 'realismo'), surgiu pela primeira vez apenas no final do seculo XIV, e so gradualmente se tornou difundido durante o seculo XV.[43] A nocao de duas vias distintas, uma via antiqua, associada ao realismo, e uma via moderna, associado ao nominalismo, tornou-se difundido apenas no final do seculo XV - uma disputa que acabou por secar no seculo XVI.[44]

Conscientes de que o pensamento explicito em termos de uma divisao entre 'nominalismo' e 'realismo' surgiu apenas no seculo XV, os estudiosos tem questionado cada vez mais se uma escola de nominalismo do seculo XIV pode realmente ter existido. Embora se possa falar de semelhancas familiares entre Ockham, Buridan, Marsilius e outros, tambem existem diferencas marcantes. Mais fundamentalmente, Robert Pasnau questionou se qualquer tipo de corpo coerente de pensamento que poderia ser chamado de "nominalismo" pode ser discernido na escrita do seculo XIV. Isso torna dificil, tem sido argumentado, seguir a narrativa do seculo XX que retratou a filosofia escolastica tardia como uma disputa que surgiu no seculo XIV entre a via moderna, o nominalismo e o via antiga, realismo, com as ideias nominalistas de Guilherme de Ockham prenunciando a eventual rejeicao da escolastica no seculo XVII.[44]

Critica das reconstrucoes nominalistas em matematica

Uma critica das reconstrucoes nominalistas em matematica foi realizada por Burgess (1983) e Burgess e Rosen (1997). Burgess distinguiu dois tipos de reconstrucoes nominalistas. Assim, o nominalismo hermeneutico e a hipotese de que a ciencia, devidamente interpretada, ja dispensa objetos matematicos (entidades) como numeros e conjuntos. Enquanto isso, o nominalismo revolucionario e o projeto de substituir as teorias cientificas atuais por alternativas que dispensam objetos matematicos (ver Burgess, 1983, p. 96).[45]

Um estudo recente estende a critica burgessiana a tres reconstrucoes nominalistas: a reconstrucao da analise de Georg Cantor, Richard Dedekind e Karl Weierstrass que dispensava infinitesimais; a reconstrucao construtivista da analise de Weierstrassian por Errett Bishop que dispensou a lei do terceiro excluido; e a reconstrucao hermeneutica, por Carl Boyer, Judith Grabiner e outros, da contribuicao fundacional de Cauchy para a analise que dispensava os infinitesimais de Cauchy.[45]

Ontologia

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O problema dos universais, ponto central do nominalismo, na verdade, e um sofisma, que pode ser solucionado pela via da ontologia e da hermeneutica. As duas teses centrais do nominalismo sao de que "objetos universais e abstratos nao existem de fato alem de serem apenas nomes ou rotulos" e que "objetos abstratos nao existem no espaco e no tempo". Aquilo que o nominalismo qualifica como "universais e abstratos" podem ser qualificados como entidades abstratas, sejam nomes ou representacoes. Que dizer, por exemplo, a ideia (predicado) de unidade ou seu substantivo (numero 0) ou de brancura (cor branca) nao existem no mundo real e seriam apenas "representacoes"?[46][47][48]

Ora, sabe-se, por intuicao ontologica que a ideia de unidade, quantidade, de brancura, qualidade, sao coisas que provem do mundo real, portanto, existem por si mesmas e sao, ao mesmo tempo, objeto de representacao, pela cultura e conhecimento do homem.[49][50][48]

A questao central consiste na confusao entre tres coisas absolutamente diferentes: a coisa (ou "Ser-em-si"), sua representacao mental e a palavra (significante). Tomemos, por exemplo, o conceito de "arvore" - ha inumeras coisas no mundo real que chamamos de arvores, sao de multiplas especies e cada qual possui forma, estrutura e certas qualidades que as diferenciam, ainda assim, possuem caracteristicas comuns entre si, que as diferenciam de outros seres, como de animais, como de pedras e como de nuvens. As arvores reais, coisas no mundo.[49][50]

A partir da observacao e analise da multiplicidade inerente ao "ser-em-si" (arvore), tais objetos passam a ser agrupados em categorias mentais (representacoes da arvore, na mente) e, a par disso, tambem podem ser referenciadas por uma ou mais palavras (significantes).[51][48]

Quer dizer, ha uma triade de coisas diversas, mas existentes em si mesmas: o objeto no mundo real ou o ser-em-si (arvore real), ha uma representacao mental dessa coisa na mente humana (representacao mental ou fenomenica) e ha, tambem, um referente na linguagem que e utilizado para designar essa coisa, a qual chamamos de palavra ou de significante. Assim, nao faz sentido discutir se os universais existem ou nao em si-mesmos ou no mundo real, pois, sao, inicialmente, coisas-em-si mesmas, que existem no mundo e de natureza diversas, todas existentes no plano da realidade - o ser, no mundo-da-vida, representacao (mente humana) e a palavra (linguagem, mundo falado).[51][50][48]

Ver tambem

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Referencias

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  2. | Mill (1872); Bigelow (1998).
  3. | Rodriguez-Pereyra (2008) escreve: "A palavra 'nominalismo', como usada por filosofos contemporaneos na tradicao anglo-americana, e ambigua. Em certo sentido, seu sentido mais tradicional derivado da Idade Media, implica a rejeicao de universais . Em outro sentido, mais moderno, mas igualmente arraigado, implica a rejeicao de objetos abstratos" (SS1).
  4. | Feibleman (1962), p. 211.
  5. | Klima, Gyula (2022). Zalta, Edward N., ed. <>. Metaphysics Research Lab, Stanford University. Consultado em 5 de junho de 2022
  6. | Mill, J.S. (1865/1877). An Examination of Sir William Hamilton's Philosophy, volume II, Chapter XVII, page 50.
  7. | Uma visao geral dos problemas filosoficos e uma aplicacao do conceito a um caso da Suprema Corte do Estado da California, da Thomas Kupka, 'Verfassungsnominalismus', em: Archives for Philosophy of Law and Socia]l Philosophy 97 (2011), 44- 77, PDF
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  9. | a b John Sellars, Stoicism , Routledge, 2014, pp. 84-85: "[Stoics] tem sido frequentemente apresentados como os primeiros nominalistas, rejeitando completamente a existencia de conceitos universais. ... Para Crisipo nao existem entidades universais, sejam elas ser concebidos como Formas Platonicas substanciaisou de alguma outra maneira".
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  42. | O ponto de partida classico do nominalismo foi o decreto emitido por Luis XI em 1474, ordenando que apenas o realismo (contido em estudiosos como Averrois , Alberto o Grande , Tomas de Aquino , Duns Scotus e Boaventura ) fosse ensinado na Universidade de Paris, e ordenando que os livros de varios "estudiosos renovadores", incluindo Ockham, Gregory of Rimini , Buridan e Peter of Aillyser removido. O edital usava a palavra 'nominalista' para descrever os estudantes de Paris que 'nao tem medo de imitar' os renovadores. Esses alunos entao responderam a Luis XI, defendendo o nominalismo como um movimento que remonta a Ockham, que havia sido perseguido repetidamente, mas que na verdade representa a filosofia mais verdadeira. Ver Robert Pasnau, Metaphysical Themes, 1274-1671 , (Nova York: OUP, 2011), p. 85.
  43. | Por exemplo, quando Jeronimo de Praga visitou a Universidade de Heidelberg em 1406, ele descreveu os nominalistas como aqueles que negam a realidade dos universais fora da mente humana, e os realistas como aqueles que afirmam essa realidade. Tambem, por exemplo, em um documento de 1425 da Universidade de Colonia que faz uma distincao entre a via de Tomas de Aquino, Alberto o Grande, e a via dos 'mestres modernos' John Buridan e Marsilius de Inghen. Ver Robert Pasnau, Metaphysical Themes, 1274-1671 , (Nova York: OUP, 2011), p84.
  44. | a b Robert Pasnau, Metaphysical Themes, 1274-1671 , (Nova York: OUP, 2011).
  45. | a b Usadi Katz, Karin; Katz, Mikhail G. (2011). "Uma Critica Burgessiana de Tendencias Nominalistas em Matematica Contemporanea e sua Historiografia". Fundamentos da Ciencia . 17 : 51-89. arXiv : 1104.0375 . doi : 10.1007/s10699-011-9223-1 . S2CID 119250310 .
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Leituras adicionais

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  • Rosen, Burgess: Nominalism Reconsidered in The Oxford Handbook of Philosophy of Mathematics and Logic (2007)
  • Medieval Nominalism and the Literary Questions: Selected Studies by Richard Utz, with the assistance of Terry Barakat Perspicuitas, (2004)

Ligacoes externas

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