John Stuart Mill
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| John Stuart Mill | |
|---|---|
| Nascimento | 20 de maio de 1806 Londres, Inglaterra |
| Morte | 8 de maio de 1873 (66 anos) Avinhao, Franca |
| Sepultamento | Saint-Veran Cemetery |
| Nacionalidade | britanico |
| Cidadania | Reino Unido da Gra-Bretanha e Irlanda |
| Progenitores | |
| Conjuge | Harriet Taylor |
| Alma mater | |
| Ocupacao | filosofo, economista, politico, autobiografo, escritor, igualitarismo, empregado de escritorio, sufragista, colecionador de plantas |
| Distincoes |
|
| Empregador(a) | Companhia Britanica das Indias Orientais |
| Obras destacadas | A Liberdade, Autobiography, Considerations on Representative Government |
| Escola/tradicao | Empirismo Utilitarismo Liberalismo |
| Principais interesses | Etica, Filosofia politica, Metodo indutivo, Economia. |
| Movimento estetico | ateismo, igualitarismo, utilitarismo, liberalismo |
| Religiao | ateismo |
| Causa da morte | erisipela |
| Assinatura | |
John Stuart Mill (Londres, 20 de maio de 1806 - Avignon, 8 de maio de 1873) foi um filosofo, logico e economista britanico. E considerado por muitos como o filosofo de lingua inglesa mais influente do seculo XIX.[1]
E conhecido principalmente pelos seus trabalhos nos campos da filosofia politica, etica, economia politica e logica, alem de influenciar inumeros pensadores e areas do conhecimento. Defendeu o utilitarismo, a teoria etica proposta inicialmente por seu padrinho, Jeremy Bentham. Alem disso, e um dos mais proeminentes e reconhecidos defensores do liberalismo politico e do Liberalismo social, sendo seus livros fontes de discussao e inspiracao sobre as liberdades individuais ainda nos tempos atuais.[2]
Mill chegou a ser membro do Parlamento Britanico, eleito em 1865, tendo defendido principalmente os direitos das mulheres, chegando a apresentar uma peticao para estender o sufragio as mulheres.[2]
Biografia
[editar | editar codigo]John Stuart Mill nasceu na casa do seu pai em Pentonville, Londres, sendo o primeiro filho do filosofo escoces radicado na Inglaterra James Mill. John foi educado pelo pai, com a assistencia de Jeremy Bentham e Francis Place. Foi-lhe dada uma educacao rigorosa e foi deliberadamente escudado de rapazes da mesma idade. O seu pai, um seguidor de Bentham e um aderente ao associativismo, tinha como objetivo explicito criar um genio intelectual que iria assegurar a causa do utilitarismo e a sua implementacao apos a morte dele e de Bentham. James Mill concordava com a visao de John Locke a respeito da mente humana como uma folha em branco (tabula rasa) para o registro das experiencias e por isso prometeu estabelecer quais experiencias preencheriam a mente de seu filho empreendendo um rigoroso programa de aulas particulares.
Seus feitos em crianca eram excepcionais; com a idade de tres anos foi-lhe ensinado o alfabeto grego e longas listas de palavras gregas com os seus equivalentes em ingles. Com a idade de oito anos tinha lido as fabulas de Esopo, a Anabasis de Xenofonte, toda a obra de Herodoto, e tinha conhecimento de Lucio, Diogenes Laercio, Isocrates e seis dialogos de Platao (ver a sua autobiografia). Tambem tinha lido muito sobre a historia da Inglaterra.
Um registro contemporaneo dos estudos de Mill dos oito aos treze anos de idade foi publicado por Bain, que sugere que a autobiografia esta longe de exagerar o volume de trabalhos. Com a idade de oito comecou com o latim, Euclides e algebra e foi nomeado tutor dos membros mais jovens da familia. As suas principais leituras eram ainda em historia, mas ele leu tambem os autores em latim e grego lidos normalmente nas escolas e universidades do seu tempo. Com dezoito anos, descreveu a si mesmo como uma "maquina logica" e, aos 21, sofreu uma depressao profunda. Ele levou muitos anos para recuperar a autoestima.
A obra de seu pai, Historia da India, foi publicada em 1818, apos a qual, com a idade de doze anos, John iniciou um estudo intenso de logica, lendo os tratados de logica de Aristoteles no original. Nos anos seguintes foi introduzido na economia politica e estudou Adam Smith e David Ricardo com o seu pai -- tendo acabado por completar a teoria economica dos fatores de producao destes.
Mill trabalhou na Companhia Inglesa das Indias Orientais, lidando com a correspondencia rotineira referente a atuacao do governo ingles na India. Aos 25 anos, apaixonou-se por Harriet Taylor, uma mulher linda e inteligente, porem casada, que veio exercer grande influencia no trabalho de Mill. Cerca de vinte anos depois, quando seu marido faleceu, Harriet Taylor se casou com John Stuart Mill[3]. Ele se referia a ela como "dadiva-mor da minha existencia" e ficou inconsolavel quando ela morreu sete anos depois.
Um dos pontos altos da vida de Mill foi sua atuacao como Membro do Parlamento Ingles entre 1865 e 1868. Concorreu pelo Partido Liberal por Westminster, em uma eleicao muito improvavel, que, porem, acabou vencendo.[4] Entre os feitos que mais se orgulhava em seu mandato, como conta em sua Autobiografia, estavam justamente a defesa do sufragio feminino; a defesa da classe trabalhadora - tendo ele inclusive assumido o lado de manifestantes contra a brutalidade policial em uma ocasiao; ter liderado com sucesso a oposicao contra a tentativa do governo conservador de acabar com as manifestacoes em parques; ter defendido interesses dos irlandeses; ter defendido no Parlamento por todo o seu mandato a condenacao da autoridade britanica responsavel pela Jamaica pela resposta violenta a um protesto de jamaicanos; ter conseguido com sucesso, junto a outros do seu partido, impedir uma lei de extradicao de refugiados politicos; e ter trabalhado por uma lei anticorrupcao na esfera publica[4]. Destaca-se ainda em seu periodo como parlamentar o seu discurso em defesa da pena de morte para casos de assassinato em meio ao debate de uma emenda, trazida pelos seus companheiros do Partido Liberal, que tentava abolir a pena de morte para todos os casos. Mill argumentou na ocasiao em defesa da pena de morte para os casos de assassinato na justificativa do poder de dissuasao da pena de levar os demais a nao cometer o mesmo crime.[5] Pelo seu apoio a um outro candidato ateu e ao seu posicionamento sobre o incidente jamaicano, Mill nao conseguiu a reeleicao em 1868.
Mill ficou horrorizado com o fato de as mulheres serem privadas dos direitos financeiros ou das propriedades e comparou a saga feminina a de outros grupos de desprovidos. Condenava a ideia da submissao sexual da esposa ao desejo do marido, contra a propria vontade, e a proibicao do divorcio com base na incompatibilidade de genios. Sua concepcao de casamento era baseada na parceria entre pessoas com os mesmos direitos, e nao na relacao mestre-escravo. Tal concepcao de casamento e atestada por seu proprio casamento com Harriet Taylor, escrevendo pouco tempo antes uma declaracao em que critica fortemente a lei do casamento e garante a Taylor total liberdade de acao e sobre seus proprios pertences.[3]
Devido aos seus trabalhos abordando diversos topicos, John Stuart Mill tornou-se contribuinte influente no que logo se transformou formalmente na nova ciencia da psicologia. Ele combatia a visao mecanicista de seu pai, James Mill, ou seja, a visao da mente passiva que reage mediante o estimulo externo. Para John Stuart Mill, a mente exercia um papel ativo na associacao de ideias.
Stuart Mill desenvolveu, em seu livro A System of Logic, os cinco metodos de inducao que viriam a ser conhecidos como Os Metodos de Mill.
Vida de John Stuart Mill
[editar | editar codigo]- 1806: em 20 de maio nasce John Stuart Mill, em Londres; filho do tambem filosofo e economista James Mill, casado um ano antes, Stuart Mill surge numa epoca economicamente conturbada para a familia Mill: o pai provinha de uma familia humilde da Escocia e a mae, ainda bastante jovem, era igualmente de condicao modesta; e Sir John Stuart Fettercairn que vira a apadrinhar Stuart Mill, tal como ja fizera com o pai, financiando parte dos seus estudos ate 1819, ano em que James e nomeado para o Ministerio das Indias Orientais com a posicao de assistente;
- 1809: com apenas tres anos de idade, o pequeno Mill comeca a aprender grego; o pai e que instrui Mill, rejeitando o ensino institucional e apostando tudo na tentativa de criar um genio intelectual, capaz de defender o utilitarismo do tio, Bentham; as obras que Stuart leu em tenra idade sao imensas; dos oito aos doze anos Stuart lia grego e latim no original;
- 1818: James Mill publica Historia das Indias Britanicas, edicao que lhe vale a nomeacao, primeiro, para assistente e, depois, para Examinador da correspondencia politica com o estrangeiro; esta data marca a melhoria das condicoes de vida da familia;
- 1820: Stuart Mill abandona a Gra-Bretanha e viaja ate ao sul da Franca; fica hospedado na casa de Samuel Bentham, general e irmao do filosofo Jeremy Bentham um dos fundadores da teoria utilitarista; acompanha estudos de logica, metafisica, quimica, matematica e zoologia na Universidade de Montpellier; estes dias foram por ele considerados os mais felizes da sua vida;
- 1822: regressando a Inglaterra le o Tratado de Legislacao de Jeremy Bentham; este livro sera fundamental na sua formacao enquanto filosofo, quer como continuador que foi, quer como reformador do utilitarismo que tentou ser; o mundo deveria ser convertido num lugar melhor, ditame que Stuart Mill ve como impulsionador de uma moral da felicidade, na esteira dos gregos, com certeza, mas reformulada pelos insights, que considerava geniais, de J. Bentham; entretanto, funda a Sociedade Utilitarista, a qual viveria apenas alguns anos;
- 1825: substituicao da Sociedade Utilitarista pela Sociedade em Debate (Debating Society); Mill, aberto a novas influencias, diverge significativamente das ideias de seu pai e do seu tio, publicando varios artigos em revistas como a Westminster Review; a Sociedade em Debate e um reflexo dessa abertura e dessa nova sensibilidade ecletica;
- 1826: crise e depressao abatem o fisico, a psique e a moral de Mill; as razoes plausiveis sao o trabalho extenuante, as divergencias familiares, sobretudo com o seu pai, e uma certa insatisfacao ou frustracao intelectual;
- 1830: conhece Harriet Taylor, casada e mae de dois filhos; Harriet seria a sua grande paixao e o seu grande amor, influenciando-o sobremaneira, mesmo no concernente a sua filosofia;
- 1831: comeca a corresponder-se com Thomas Carlyle; esta correspondencia foi fundamental na redefinicao da linha que Mill seguira, em confronto com Bentham; Stuart Mill procura agora um encontro proficuo com a velha filosofia helenica, aquela que ele primeiro conhecera ha mais de vinte anos atras;
- 1834: e nomeado Diretor da Westminster Review; a sua filosofia e agora claramente divergente da de Bentham;
- 1835: o seu pai, James Mill, declina ameacado por um cancro pulmonar, vindo a morrer em 23 de Junho de 1836;
- 1840: por esta altura le Tocqueville e Comte; a influencia da chamada filosofia positiva faz-se sentir e o pragmatismo revela-se-lhe fundamental, ainda mais do que antes; a Democracia e a maioria sao conceitos que lhe serao muito caros; o reformismo social marcara, a partir de agora, a sua filosofia e a sua atuacao;
- 1841: inicia-se a correspondencia com Augusto Comte, a qual se mantera ate ao ano de 1847;
- 1843: e publicado o Sistema de Logica Dedutiva, considerada uma das obras mais relevantes de Mill;
- 1848: sao publicados os Principios de Economia Politica, obra muito importante para compreender algumas das mais importantes influencias sobre o espirito de Mill, bem como o seu percurso intelectual, agora com laivos de 'Socialismo';
- 1851: Mill casa-se com Harriet Taylor, um dos espiritos que muito influenciou o seu pensamento, incluindo as obras editadas antes do casamento, direccionando o utilitarismo do filosofo no sentido do Socialismo, ou se quisermos, da accao social;
- 1854: entre 1854 e 1860 Mill escreve aquela que e, provavelmente, a sua obra mais conhecida e com mais repercussoes, Utilitarismo;
- 1858: morre Harriet ficando Mill, agora reformado apos a extincao da Companhia das Indias, com Helen Taylor, filha de Harriet com o marido anterior, a viver em Avinhao junto ao cemiterio onde foi sepultada a sua esposa;
- 1859: e publicado o livro A Liberdade;
- 1861: sao publicadas as obras Utilitarismo (nas edicoes da Frazer's Magazine de Outubro, Novembro e Dezembro) e O Governo Representativo; o Utilitarismo foi muito lido e comentado, quer favoravel quer antagonicamente, e granjeou-lhe renome e publicidade na sociedade da epoca; entretanto escreve o Sujeicao das Mulheres em coautoria com a filosofa e amiga Harriet Taylor;
- 1865: toma assento na Camara dos Comuns, eleito por Westminster como candidato radical, defendendo causas como o sufragio feminino e o reconhecimento da igualdade das mulheres na vida publica;
- 1868: a Camara dos Comuns e dissolvida e Mill perde o lugar nao voltando a ser eleito, no entanto ganha a Camara de Avinhao;
- 1869: e publicado o Sujeicao das Mulheres; no dominio da intervencao publica defende uma reforma da propriedade rural em todo o Reino Unido, bem como uma lei agraria mais justa para os agricultores Irlandeses, reivindicacao que as populacoes agricolas daquele territorio manterao ate ao proximo seculo;
- 1873: J. S. Mill morre em Avinhao de erisipela infecciosa em 8 de maio; repousa no mesmo tumulo da sua esposa, Harriet Taylor no Cimetiere de St. Veran, Avinhao, Provenca-Alpes-Costa Azul na Franca.[6]
Obra
[editar | editar codigo]Stuart Mill escreveu inumeras obras ao longo da sua vida. Destacam-se aqui apenas algumas que sao consideradas mais marcantes:
- Sistema de Logica Dedutiva (1843);
- Principios de Economia Politica (1848);
- A Liberdade (1859);
- Utilitarismo (1861);
- O Governo Representativo (1861);
- Sujeicao das mulheres (1869).
Principios da Economia Politica
[editar | editar codigo]Escrito em 1848, foi um dos compendios economicos ou politicos mais importantes da metade do seculo XIX. Ha uma consolidacao do pensamento economico classico -- todas as escolas estao nele presentes: Adam Smith, David Ricardo, Say, Fisiocracia, Mercantilismo, etc.
No primeiro livro, intitulado Producao, Mill explora a natureza da producao, comecando com o trabalho e sua relacao com a natureza. Mill afirma que "os requisitos da producao sao dois: trabalho e objetos naturais apropriados". Por objetos naturais apropriados se entendem o capital, a terra e os meios de producao. Mill afirma mais adiante que "o trabalho no mundo fisico e, portanto, sempre e somente empregado para colocar os objetos em movimento; as propriedades da materia, as leis da Natureza, fazem o restante". Essa visao do trabalho como deslocador de objetos fisicos e importante, pois destaca o fato de que os objetos fisicos nao sao capazes de variabilidade por si so; o que estabelece a variabilidade e o trabalho humano. Assim, o fator trabalho receberia o equivalente a sua contribuicao -- o salario -- e o fator capital o equivalente ao seu lucro. Referindo-se a renda da terra, Mill afirma que "a renda (...) e o preco pago pelo uso de um agente natural apropriado. Esse agente natural e certamente indispensavel como qualquer outro implemento; mas ter de pagar um preco por ele nao o e." Ainda que Mill nao compartilhe da ideia de "contribuicao de fatores", sua visao universalista do processo de producao provoca confusao. Por exemplo, a nocao que tem de capital (meio de producao) nao se aplicaria somente a uma economia de trabalho assalariado voltada para a obtencao do valor excedente (a organizacao economica que prevalece nos ultimos duzentos anos), mas a qualquer organizacao economica. Em suas proprias rugas: "supus que os trabalhadores sempre subsistem a partir do capital; e este e um fato obvio, ainda que o capital nao seja necessariamente fornecido por uma pessoa denominada capitalista". Assim, toda e qualquer sociedade teria um fundo de capital que possibilita as condicoes de producao, ou de reproducao, em periodos posteriores. Nesse sentido, todas as pessoas seriam capitalistas. Ha simplesmente grandes e pequenos capitalistas.
No livro segundo, denominado Distribuicao, Mill diz que esta e uma questao das instituicoes humanas somente. Diz ele que "A distribuicao da riqueza, portanto, depende das leis e costumes da sociedade. As regras pelas quais ela e determinada sao feitas pelas opinioes e sentimentos que as partes dirigentes estabelecem e sao muito diferentes em epocas e paises diversos; e poderia ser ainda mais diferente se a Humanidade assim escolhesse". O terceiro livro trata da troca e a logica pela qual Mill percebe o mundo economico e a seguinte: a riqueza e produzida segundo leis naturais; a seguir, ela e distribuida segundo leis convencionadas; finalmente, e trocada, tambem segundo leis convencionadas e consistentes com as leis da distribuicao. A troca se da no mercado; os bens sao trocados por valores equivalentes. Dai a questao do valor ser basica para a compreensao do processo de troca. Ja o quarto trata da influencia do progresso da sociedade sobre a producao e a distribuicao, aonde, para Mill, a impossibilidade de se evitar, em ultima instancia, o que ele denominou de estado estacionario, nao deveria ser vista com pessimismo. O estado estacionario seria, por definicao, o da Economia que se reproduz sem ampliacao. Segundo Mill, isso poderia ser bom, pois seria consistente como "o melhor estado para a natureza humana,(...) no qual embora ninguem seja pobre, ninguem deseja ficar mais rico, nem tem razoes em temer ser passado para tras, em virtude do esforco de outros para ir em frente". Por fim, a influencia do governo e tratado no livro cinco. Simplificando a posicao de Mill, podemos dizer que a interferencia do governo tem aspectos bons e aspectos ruins; portanto, a interferencia deve ocorrer de forma a maximizar os aspectos bons e a minimizar os aspectos ruins. Um criterio fundamental de "bom" e "ruim" e o efeito sobre a "liberdade do individuo"; se esta e restringida, e ruim; se ampliada, e bom. Ele era critico da concentracao de renda sem o devido trabalho.[7]
Ensaio sobre a liberdade
[editar | editar codigo]Nessa obra Mill se refere a natureza e aos limites do poder que pode ser exercido legitimamente pela sociedade sobre o individuo. Mill desenvolve com maior precisao do que qualquer filosofo anterior o principio do dano. O principio do dano assegura que cada individuo tem o direito de agir como quiser, desde que suas acoes nao prejudiquem as outras pessoas. Se a acao afeta diretamente apenas a pessoa que a esta realizando, entao a sociedade nao tem o direito de intervir, mesmo que se tenha a sensacao de que o individuo esteja se prejudicando. Parafraseando Mill, "sobre si mesmo, sobre seu proprio corpo e mente, o individuo e soberano". Mill argumenta, entretanto, que os individuos sao prevenidos de fazer algo ruim para eles mesmos ou sua propriedade pelo mesmo principio do dano, pois ninguem vive isolado e, feito dano a si mesmo, os outros serao, tambem, prejudicados. Ele isenta desse principio aqueles que sao incapazes de se autogovernar, como as criancas pequenas ou aqueles que vivem em sociedades retrogradas.
Stuart Mill diz que o despotismo e uma forma de governo aceitavel em sociedades que sao "atrasadas", porque nelas se observam barreiras para o progresso espontaneo. O despota, porem, deve estar revestido de bons interesses.
Embora esse principio pareca simples, ha varias complicacoes. Por exemplo, Mill explicita que em "dano" podemos incluir atos de omissao ou de comissao. A questao sobre o que podemos considerar uma acao de autoestima e que acoes, se de omissao ou comissao, constituem relacoes danosas sujeitas a regulacao continua a exercitar os interpretes desse filosofo.
N'A Liberdade, Mill trata, tambem, de defender a liberdade de expressao. Ele argumenta que a liberdade de discurso e uma condicao necessaria para o progresso intelectual e social. Diz ele que permitir que uma pessoa expresse publicamente uma opiniao falsa e produtivo por dois motivos: primeiro, os individuos sao propensos a abandonar crencas erroneas se eles se envolvem em uma discussao aberta de ideias; segundo, ao forcar os outros individuos a reexaminar e reafirmar suas crencas no processo do debate, estas sao protegidas da depauperacao em um mero dogma.
Sobre a liberdade social e a tirania da maioria, Mill acreditava que a luta entre Liberdade e Autoridade e uma das caracteristicas mais salientes na historia da humanidade. Para ele, a liberdade na antiguidade era uma "competicao entre sujeitos -- ou algumas classes de sujeitos -- e o governo". Mill definiu a liberdade social como uma protecao da "tirania dos governantes politicos". Ele nos introduz a uma gama de tiranias, incluindo a tirania social e a tirania da maioria (nocao extraida Da democracia na America de Alexis de Tocqueville).
Liberdade social se trata de impor limites ao governante, assim ele nao seria capaz de usar seu poder para satisfazer suas proprias vontades e tomar decisoes que podem causar dano a sociedade. Mill destaca as limitacoes como podendo ser exercidas de duas formas basicamente: as imunidades civis e por garantias institucionais. As imunidades politicas consistiam numa serie de direitos e liberdades politicas conferidas aos cidadaos e as garantias institucionais seriam orgaos estatais que zelassem pelo povo, assim como limitasse algumas decisoes do governante a aprovacao popular.
Entretanto limitar o poder do governo nao e o suficiente. "A sociedade pode executar e executa os proprios mandatos; e, se ela expede mandatos erroneos ao inves de certos, ou mandatos relativos a coisas nas quais nao deve intrometer-se, pratica uma tirania social mais terrivel que muitas outras formas de opressao politica, desde que, embora nao apoiada ordinariamente nas mesmas penalidades extremas que estas ultimas, deixa, entretanto, menos meios de fuga que elas, penetrando muito mais profundamente nas particularidades da vida e escravizando a propria alma.".
Sujeicao das mulheres
[editar | editar codigo]Escrito em 1869, neste livro Mill ataca o argumento que dizia que as mulheres sao naturalmente piores do que os homens em certos aspectos e que, por isso, elas deviam ser desencorajadas e proibidas de realizarem certos atos. Ele diz que se nao se sabe do que as mulheres sao capazes, e porque os homens nunca as deixam tentar -- e nao se pode fazer uma afirmacao autoritaria sem evidencias.
Cria que os homens da sua epoca nao poderiam saber qual era a natureza da mulher porque ela estava empacotada na maneira em que fora criada -- induzida a agir como se fosse fraca, emotiva e docil. Sugeriu que um experimento deveria ser feito para que se descobrisse o que as mulheres podiam ou nao fazer.
Ele ataca, tambem, as leis do casamento, que ele compara a escravizacao da mulher, "nao restam escravos legais, com excecao das senhoras em cada casa".
O trabalho de Mill e claramente utilitarista e ele argumenta usando tres consideracoes: o bem maior imediato, o enriquecimento da sociedade e o desenvolvimento individual. Ele defende uma reforma na legislacao do casamento, pois este e reduzido a um acordo comercial. Junto com outras propostas, apoia a mudanca das leis de heranca, que permitiriam as mulheres a manter suas proprias propriedades e trabalharem fora de casa, ganhando independencia e estabilidade financeira.
Mill e um ferrenho defensor do sufragio para mulheres. Segundo ele, elas representam metade da populacao e tem o direito de votar, ja que as politicas publicas as afetam tambem.
O modo como Mill interpretou certos assuntos variou com o tempo, mas ha uma forte coerencia em sua abordagem sob o ponto de vista do utilitarismo e o bem da sociedade. Por exemplo, cria que nada deveria ser tachado como "errado" so porque assim parece ou porque ninguem o fez no passado. Ao considerarmos nossas politicas, dizia ele, nos devemos procurar a maior felicidade do maior numero de pessoas.
Com relacao ao progresso da sociedade, Mill advogava que o bem maior e entendido, num sentido muito amplo, como sendo a evolucao moral e intelectual da sociedade. Dizia que sociedades diferentes se encontravam em diferentes estagios de desenvolvimento ou civilizacao e, por isso, solucoes diferentes seriam requeridas para cada uma delas. O que importa e como nos as encorajariamos a avancar mais. Nos podemos dizer o mesmo sobre individuais. Mill tem uma ideia bastante especifica do progresso individual, (1) Empregando faculdades superiores, (2) desenvolvimento moral, as pessoas colocam o estreito interesse por tras delas.
Escreveu que nos somos independentes, capazes de mudanca e de sermos racionais. Dizia que a liberdade individual e a melhor rota para o desenvolvimento moral. Conforme nos nos desenvolvemos, somos capazes de nos autogovernarmos, tomarmos nossas proprias decisoes e nao dependermos do que os outros nos dizem para fazer. Democracia, para Mill, era uma forma de liberdade individual -- tanto para homens quanto para mulheres. Isso significa dizer que, desde que nos nao causemos danos aos outros, nos deveriamos ser livres para expressar nossa natureza e experimentar com as nossas vidas. O governo representativo, na visao de Mill, e uma maneira util para nos fazer pensar sobre o bem comum.
Tres ensaios sobre a religiao
[editar | editar codigo]A critica de Mill sobre as tradicionais doutrinas religiosas, as instituicoes e sua promocao da "religiao da humanidade", tambem dependia, em grande medida, sobre suas preocupacoes sobre a cultura humana e a educacao. Embora os "filosofos radicais" de Bentham, Mill incluso, acreditavam que o cristianismo era uma supersticao particularmente perniciosa que encorajou a indiferenca ou hostilidade para a felicidade humana (a pedra angular da moralidade utilitarista), Mill tambem acreditava que a religiao poderia servir as importantes necessidades eticas, fornecendo-nos "concepcoes ideais maiores e mais bonitas do que poderiamos ver concretizados na prosa da vida humana." (CW, X.419). Ao faze-lo, a religiao eleva nossos sentimentos, cultiva a simpatia com os outros e impregna ate mesmo nossas atividades corriqueiras com um sentido de proposito.
A publicacao postuma Tres Ensaios sobre Religiao (1874), sobre a "Natureza", a "Utilidade da Religiao" e o "Teismo", criticou os tradicionais pontos de vista religiosos e formulou uma alternativa sobre a aparencia da Religiao da Humanidade. Junto com a critica dos efeitos morais da religiao -- que ele compartilhou com os Benthamistas, Mill tambem criticou a preguica intelectual que permitiu a crenca em um Deus onipotente e benevolente. Cria, do mesmo modo que seu pai, que o mundo como nos conhecemos nao poderia ter surgido de tal Deus, caso contrario nao existiria o mal desenfreado que cerca a vida de cada um de nos. Dizia que ou o poder de Deus e limitado ou Ele nao e todo benevolente.
Alem de atacar os argumentos relativos a essencia de Deus, Mill questiona com uma serie de argumentos a Sua existencia, incluindo argumentos a priori. Ele conclui, usando o argumento tradicional -- derivado de Aristoteles -- que as unicas provas legitimas de que Deus e um a posteriori e responsavel provavel da concepcao do universo, sao as caracteristicas complexas do mundo, pouco provaveis de terem surgido ao acaso, portanto, deve ter havido um designer. Mill reconhece que Darwin, em 1859, possa ter fornecido uma explicacao totalmente naturalista, mas ele acreditava que era muito cedo para julgar o sucesso de Darwin.
Inspirado por Comte, Mill considera uma alternativa a religiao tradicional a Religiao da Humanidade, na qual uma humanidade idealizada se torna um objeto de reverencia e as caracteristicas moralmente uteis da religiao tradicional sao supostamente purificadas e acentuadas. A humanidade se torna uma fonte de inspiracao ao ser colocado imaginativamente dentro do drama da historia humana, que tem um destino ou ponto, ou seja, a vitoria do bem sobre o mal. Como Mill coloca, a historia deveria ser vista como "o desdobramento de um grande epico ou acao dramatica" que termina "na felicidade ou miseria, na elevacao ou degradacao da raca humana." "E um conflito constante entre o bem e poderes do mal, dos quais cada ato feito por qualquer um de nos, insignificantes como somos, constitui um dos incidentes." Quando comecamos a nos ver como os participantes desse drama maniqueista, combatendo ao lado de Socrates, Newton e Jesus para assegurar a vitoria final do bem sobre o mal, nos tornamos capazes de uma maior simpatia e um sentido enobrecido do significado de nossas proprias vidas. A Religiao da Humanidade, assim, age como um instrumento da cultura humana.
Obras traduzidas em lingua portuguesa
[editar | editar codigo]- (1832) Sobre o Genio - em meio digital por Mauricio Francisco Schiehl [1]
- (1843) Sistema de Logica Dedutiva e Indutiva - Excertos foram traduzidos em meios fisicos e digitais, mas nao ha ainda traducao completa da obra
- (1848) Principios de Economia Politica - em meio fisico e digital por Luiz Joao Barauna
- (1851) Declaracao sobre o Casamento - em meio digital por Mauricio Francisco Schiehl [2]
- (1858) A lei da loucura - em meio digital por Mauricio Francisco Schiehl [3]
- (1859) Sobre a Liberdade - varias traducoes em meios fisicos e digitais
- (1861) Utilitarismo - varias traducoes em meios fisicos e digitais
- (1861) Consideracoes sobre o governo representativo - varias traducoes em meios fisicos
- (1865) Um exame da filosofia do Sr. William Hamilton - excertos traduzidos em meio fisico por Luiz Joao Barauna
- (1868) Discurso sobre a Pena de Morte - em meio digital por Mauricio Francisco Schiehl [4]
- (1869) A sujeicao das mulheres - varias traducoes em meios fisicos e digitais
- (1873) Autobiografia - varias traducoes em meios fisicos e digitais
- (1879) Socialismo (livro postumo nao concluido) - varias traducoes em meios fisicos e digitais
Ver tambem
[editar | editar codigo]Referencias
- | Macleod, Christopher (2017). <
> . Metaphysics Research Lab, Stanford University. The Stanford Encyclopedia of Philosophy - | a b <
> . UK Parliament (em ingles). Consultado em 29 de setembro de 2017 - | a b Mill, John Stuart (2023). Declaracao sobre o casamento. Blumenau: [s.n.] p. 5
- | a b Schiehl. M. F. Prefacio do Tradutor: In: Mill, J. S. Discurso Sobre a Pena de Morte. Blumenau: 2003. https://a.co/d/fhZARTq
- | Mill, John Stuart (2023). Discurso Sobre a Pena de Morte. Blumenau: [s.n.]
- | John Stuart Mill (em ingles) no Find a Grave [fonte confiavel?]
- | Incorporating the Rentier Sectors into a Financial Model
Fontes
[editar | editar codigo]Edicoes digitais gratuitas
[editar | editar codigo]- Nascidos em 1806
- Mortos em 1873
- John Stuart Mill
- Economistas da Inglaterra
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