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Mundo

Origem: Wikipedia, a enciclopedia livre.
Nota: Para outros significados, veja Mundo (desambiguacao).
Imagem do mundo fisico, captada pelo Telescopio Espacial Hubble

Em seu sentido mais geral, o termo "mundo" se refere a totalidade das entidades, ao conjunto da realidade ou a tudo o que existe.[1] A natureza do mundo foi conceitualizada de diferentes maneiras em distintos campos. Algumas concepcoes veem o mundo como unico, enquanto outras falam de uma "pluralidade de mundos". Alguns tratam o mundo como um objeto simples, enquanto outros analisam o mundo como um complexo composto por muitas partes. Na cosmologia cientifica, o mundo ou universo e comumente definido como "a totalidade de todo o espaco e tempo; tudo o que e, foi e sera". As teorias da modalidade, por outro lado, falam de mundos possiveis como formas completas e consistentes de como as coisas poderiam ter sido. A fenomenologia, partindo do horizonte dos objetos co-presentes na periferia de cada experiencia, define o mundo como o horizonte maior ou o "horizonte de todos os horizontes". Na filosofia da mente, o mundo e comumente contrastado com a mente como aquilo que e representado pela mente. A teologia conceptualiza o mundo em relacao a Deus, por exemplo, como a criacao de Deus, como identico a Deus ou em relacao a interdependencia entre os dois. Nas religioes, muitas vezes ha uma tendencia a depreciar o mundo material ou sensorial em favor de um mundo espiritual que e procurado atraves da pratica religiosa. Uma representacao abrangente do mundo e de nosso lugar nele, como e comumente encontrada nas religioes, e conhecida como uma cosmovisao. A cosmogonia e o campo que estuda a origem ou criacao do mundo, enquanto a escatologia se refere a ciencia ou doutrina das ultimas coisas ou do fim do mundo.

Em varios contextos, o termo "mundo" tem um significado mais restrito associado, por exemplo, com a Terra e toda a vida nela, com a humanidade como um todo, ou com um ambito internacional ou intercontinental. Neste sentido, a historia mundial se refere a historia da humanidade como um todo ou a politica mundial e a disciplina da ciencia politica que estuda questoes que transcendem nacoes e continentes. Outros exemplos incluem termos como "religiao mundial", "lingua mundial", "governo mundial", "guerra mundial", "populacao mundial", "economia mundial" ou "campeonato mundial".

Etimologia

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A palavra "mundo" em portugues tem origem no latim "mundus", que significa "limpo" ou "asseado". Essa palavra tambem pode ser usada como adjetivo, dando a ideia de algo "limpo" ou "puro". O adjetivo "imundo" e uma derivacao de "mundo", com o significado de "impuro" ou "sujo".[2]

Em portugues, a palavra "mundo" e usada tanto como substantivo (designando o planeta Terra, o universo, etc.) quanto como adjetivo (designando algo "limpo"), embora este ultimo uso seja menos comum.[3]

Concepcoes

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Campos diferentes frequentemente trabalham com concepcoes bastante diferentes das caracteristicas essenciais associadas ao termo "mundo".[4][5] Algumas concepcoes veem o mundo como unico: nao pode haver mais do que um mundo. Outras falam de uma "pluralidade de mundos".[6] Alguns veem os mundos como coisas complexas compostas de muitas substancias como suas partes, enquanto outros sustentam que os mundos sao simples no sentido de que ha apenas uma substancia: o mundo como um todo.[7] Alguns caracterizam mundos em termos de espaco-tempo objetivo, enquanto outros os definem em relacao ao horizonte presente em cada experiencia. Estas diferentes caracterizacoes nem sempre sao exclusivas: pode ser possivel combinar algumas sem levar a uma contradicao. A maioria deles concorda que mundos sao totalidades unificadas.[4][5]

Monismo e pluralismo

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O monismo e uma tese sobre a unidade que so existe uma coisa em certo sentido. A negacao do monismo e o pluralismo, a tese de que, em certo sentido, existe mais de uma coisa.[7] Existem muitas formas de monismo e pluralismo, mas em relacao ao mundo como um todo, duas sao de interesse especial: o monismo/pluralismo de existencia e o monismo/pluralismo de prioridade. O monismo de existencia afirma que o mundo e o unico objeto concreto que existe.[7][8][9] Isto significa que todos os "objetos" concretos que encontramos em nossa vida cotidiana, incluindo macas, carros e nos mesmos, nao sao realmente objetos em um sentido estrito. Em vez disso sao apenas aspectos dependentes do objeto mundial.[7] Tal objeto mundial e simples no sentido de que nao tem nenhuma parte genuina. Por esta razao, tambem e conhecido como "blobject", ja que nao tem uma estrutura interna semelhante a um blob (gota em ingles).[10] O monismo prioritario permite que haja outros objetos concretos alem do mundo.[7] Mas sustenta que estes objetos nao tem a forma mais fundamental de existencia, que eles dependem de alguma forma da existencia do mundo.[9][11] As formas correspondentes de pluralismo, por outro lado, afirmam que o mundo e complexo no sentido de que e composto de objetos concretos e independentes.[7]

Cosmologia cientifica

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A cosmologia cientifica pode ser definida como a ciencia do universo como um todo. Nela, os termos "universo" e "cosmos" sao normalmente usados como sinonimos para o termo "mundo".[12] Uma definicao comum do mundo/universo encontrada neste campo e como "a totalidade de todo o espaco e tempo; tudo o que e, foi e sera".[13][4][5] Algumas definicoes enfatizam que ha dois outros aspectos do universo alem do espaco-tempo: formas de energia ou materia, como estrelas e particulas, e leis da natureza.[14] As diferentes concepcoes do mundo neste campo diferem tanto em sua nocao de espaco-tempo quanto no conteudo do espaco-tempo. A teoria da relatividade desempenha um papel central na cosmologia moderna e sua concepcao de espaco e tempo. Uma diferenca importante de seus predecessores e que ela concebe o espaco e o tempo nao como dimensoes distintas, mas como uma unica variedade quadridimensional chamada espaco-tempo.[15] Isto pode ser visto na relatividade especial em relacao a metrica de Minkowski, que inclui componentes espaciais e temporais em sua definicao de distancia.[16] A relatividade geral vai um passo mais alem ao integrar o conceito de massa no conceito de espaco-tempo como sua curvatura.[16] A cosmologia quantica, por outro lado, usa uma nocao classica de espaco-tempo e concebe o mundo inteiro funcao de onda grande que expressa a probabilidade de encontrar particulas em um lugar determinado.[17]

Teorias da modalidade

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O conceito de mundo desempenha um papel importante em muitas teorias modernas de modalidade, geralmente na forma de mundos possiveis.[18] Um mundo possivel e um modo completo e consistente como as coisas poderiam ter sido.[19] O mundo real e um mundo possivel, ja que o modo como as coisas sao e um modo como as coisas poderiam ter sido. Mas ha muitos outros modos como as coisas poderiam ter sido alem de como realmente sao. Por exemplo, Hillary Clinton nao ganhou a eleicao de 2016 nos Estados Unidos, mas poderia te-la ganhado. Portanto, ha um mundo possivel no qual ela ganhou. Ha inumeros mundos possiveis, um correspondente a cada uma dessas diferencas, nao importa quao pequeno ou grande sejam, contanto que nao sejam introduzidas contradicoes dessa maneira.[19]

Os mundos possiveis sao frequentemente concebidos como objetos abstratos, por exemplo, em termos de estados de coisas inexistentes ou como conjuntos de proposicoes maximamente consistentes.[20][21] Deste ponto de vista, eles podem ate mesmo ser vistos como pertencentes ao mundo real.[22] Outra forma de conceber mundos possiveis, tornada famosa por David Lewis, e como entidades concretas.[6] Nesta concepcao, nao ha diferenca importante entre o mundo real e os mundos possiveis: ambos sao concebidos como concretos, inclusivos e espaco-temporalmente conectados.[19] A unica diferenca e que o mundo real e o mundo em que vivemos, enquanto outros mundos possiveis nao sao habitados por nos, mas por nossas contrapartes.[23] Tudo dentro de um mundo esta ligado espaco-temporalmente a tudo o resto, mas os mundos diferentes nao compartilham um espaco-tempo comum: eles estao espaco-temporalmente isolados uns dos outros.[19] Isto e o que os torna mundos separados.[23]

Foi sugerido que, alem dos mundos possiveis, tambem ha mundos impossiveis. Mundos possiveis sao modos como as coisas poderiam ter sido, entao mundos impossiveis sao modos como as coisas nao poderiam ter sido.[24][25] Tais mundos envolvem uma contradicao, como um mundo em que Hillary Clinton ganhou e perdeu a eleicao de 2016 nos Estados Unidos. Tanto mundos possiveis quanto os impossiveis tem em comum a ideia de que sao totalidades de seus componentes.[24][26]

Fenomenologia

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Dentro da fenomenologia, os mundos sao definidos em termos de horizontes de experiencias.[4][5] Quando percebemos um objeto, como uma casa, nao experimentamos apenas esse objeto no centro de nossa atencao, mas tambem varios outros objetos ao seu redor, presentes na periferia.[27] O termo "horizonte" refere-se a esses objetos co-presentes, que sao geralmente experimentados apenas de forma vaga e indeterminada.[28][29] A percepcao de uma casa envolve varios horizontes, correspondentes ao bairro, a cidade, ao pais, a Terra, etc. Neste contexto, o mundo e o horizonte maior o "horizonte de todos os horizontes".[27][4][5] E comum entre os fenomenologos entender o mundo nao apenas como uma colecao espaco-temporal de objetos, mas como incorporando adicionalmente varias outras relacoes entre estes objetos. Estas relacoes incluem, por exemplo, relacoes de indicacao, que nos ajudam a antecipar um objeto ao encontrar as aparencias de outro objeto, e relacoes de meio-fim, ou envolvimentos funcionais relevantes para preocupacoes praticas.[27]

Filosofia da mente

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Na filosofia da mente, o termo "mundo" e comumente usado em contraste com o termo "mente" como aquilo que e representado pela mente. Isso as vezes e expresso afirmando que ha uma brecha entre a mente e o mundo e que essa brecha precisa ser superada para que a representacao seja bem sucedida.[30][31][32] Um dos problemas centrais na filosofia da mente e explicar como a mente e capaz de cerrar esta brecha e entrar em relacoes mente-mundo genuinas, por exemplo, na forma de percepcao, conhecimento ou acao.[33][34] Isto e necessario para que o mundo seja capaz de restringir racionalmente a atividade da mente.[30][35] De acordo com uma posicao realista, o mundo e algo distinto e independente da mente.[36] Os idealistas, por outro lado, concebem o mundo como parcial ou totalmente determinado pela mente.[36][37] O idealismo transcendental de Immanuel Kant, por exemplo, postula que a estrutura espaco-temporal do mundo e imposta pela mente a realidade, mas carece de existencia independente de outro modo.[38] Uma concepcao idealista mais radical do mundo pode ser encontrada no idealismo subjetivo de Berkeley, que sustenta que o mundo como um todo, incluindo todos os objetos cotidianos como mesas, gatos, arvores e nos mesmos, "consiste em nada alem de mentes e ideias".[39]

Teologia

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Diferentes posicoes teologicas sustentam diferentes concepcoes do mundo baseadas em sua relacao com Deus. O teismo classico afirma que Deus e totalmente distinto do mundo. Mas o mundo depende para sua existencia de Deus, tanto porque Deus criou o mundo quanto porque Ele o mantem ou conserva.[40][41][42] Isto as vezes e entendido em analogia com a forma como os humanos criam e conservam ideias em sua imaginacao, com a diferenca de que a mente divina e muito mais poderosa.[40] Segundo tal visao, Deus tem uma realidade absoluta e ultima em contraste com o estado ontologico inferior atribuido ao mundo.[42] O envolvimento de Deus no mundo e muitas vezes entendido como um Deus pessoal e benevolente que cuida e guia Sua criacao.[41] Os deistas concordam com os teistas que Deus criou o mundo, mas negam qualquer envolvimento pessoal subsequente nele.[43] Os panteistas, por outro lado, rejeitam a separacao entre Deus e o mundo. Em vez disso, afirmam que os dois sao identicos. Isto significa que nao ha nada no mundo que nao pertenca a Deus e que nao ha nada em Deus alem do que se encontra no mundo.[42][44] O panenteismo constitui uma posicao intermediaria entre o teismo e o panteismo. Contra o teismo, sustenta que Deus e o mundo estao inter-relacionados e dependem um do outro. Contra o panteismo, sustenta que nao existe uma identidade absoluta entre os dois.[42][45] Os ateus, por outro lado, negam a existencia de Deus e, portanto, as concepcoes do mundo baseadas em sua relacao com Deus.

Historia da filosofia

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Platao e bem conhecido por sua teoria das formas, que postula a existencia de dois mundos diferentes: o mundo sensivel e o mundo inteligivel. O mundo sensivel e o mundo em que vivemos, cheio de coisas fisicas mutaveis que podemos ver, tocar e com as quais podemos interagir. O mundo inteligivel, por outro lado, e o mundo de formas invisiveis, eternas e imutaveis como a bondade, a beleza, a unidade e a igualdade.[46][47][48] Platao atribui um estado ontologico inferior ao mundo sensivel, que apenas imita o mundo das formas. Isto se deve ao fato de que as coisas fisicas existem apenas na medida em que participam nas formas que as caracterizam, enquanto as proprias formas tem um modo de existencia independente.[46][47][48] Neste sentido, o mundo sensivel e uma mera replicacao dos exemplares perfeitos encontrados no mundo das formas: nunca esta a altura do original. Na alegoria da caverna, Platao compara as coisas fisicas com as quais estamos familiarizados com meras sombras das coisas reais. Mas nao sabendo a diferenca, os prisioneiros na caverna confundem as sombras com as coisas reais.[49]

Eugen Fink

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"Mundo" e um dos termos-chave da filosofia de Eugen Fink.[50] Ele acredita que ha uma tendencia equivocada na filosofia ocidental para entender o mundo como uma coisa enormemente grande que contem todas as pequenas coisas cotidianas com as quais estamos familiarizados.[51] Ele ve esta visao como uma forma de esquecimento do mundo e tenta se opor a ele pelo que chama de "diferenca cosmologica": a diferenca entre o mundo e as coisas interiores que ele contem.[51] Na sua visao, o mundo e a totalidade das coisas dentro do mundo que as transcende.[52] E em si mesmo infundado, mas fornece um fundamento para as coisas. Portanto, nao pode ser identificado com um mero contentor. Em vez disso, o mundo da aparencia as coisas dentro do mundo, fornece-lhes um lugar, um comeco e um fim.[51] Uma dificuldade em investigar o mundo e que nunca o encontramos, pois nao e apenas mais uma coisa que nos aparece. E por isso que Fink usa a nocao de jogo para elucidar a natureza do mundo.[51][52] Ele ve o jogo como um simbolo do mundo que faz parte dele e que o representa.[53] O jogo e geralmente acompanhado por uma forma de mundo imaginario do jogo que envolve varias coisas relevantes para o jogo. Mas assim como o jogo e mais que as realidades imaginarias que aparecem nele, o mundo e mais que as coisas reais que aparecem nele.[51][53]

Nelson Goodman

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O conceito de mundo desempenha um papel central na filosofia tardia de Nelson Goodman.[54] Ele argumenta que precisamos postular mundos diferentes para explicar o fato de que existem diferentes verdades incompativeis encontradas na realidade.[55] Duas verdades sao incompativeis se atribuem propriedades incompativeis a mesma coisa.[54] Isto acontece, por exemplo, quando afirmamos tanto que a Terra se move quanto que a Terra esta em repouso. Estas verdades incompativeis correspondem a duas maneiras diferentes de descrever o mundo: heliocentrismo e geocentrismo.[55] Goodman denomina tais descricoes de "versoes mundiais". Ele mantem uma teoria da verdade por correspondencia: uma versao mundial e verdadeira se corresponde a um mundo. Versoes mundiais incompativeis verdadeiras correspondem a mundos diferentes.[55] E comum que as teorias da modalidade postulem a existencia de uma pluralidade de mundos possiveis. Mas a teoria de Goodman e diferente, pois postula uma pluralidade nao de mundos possiveis, mas de mundos reais.[54][4] Tal posicao corre o risco de envolver uma contradicao: nao pode haver uma pluralidade de mundos reais se os mundos sao definidos como conjuntos maximamente inclusivos.[54][4] Este perigo pode ser evitado interpretando o conceito de mundo de Goodman nao como conjuntos maximamente inclusivos no sentido absoluto, mas em relacao a sua versao mundial correspondente: um mundo contem todas e apenas as entidades que sua versao mundial descreve.[54][4]

Religiao

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Islamismo

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No islamismo, o termo "dunya" e usado para o mundo. Seu significado e derivado da palavra raiz "dana", um termo para "perto".[56] Esta principalmente associado com o mundo temporal, sensorial e com preocupacoes terrenas, ou seja, com este mundo em contraste com o mundo espiritual.[57] Alguns ensinamentos religiosos alertam sobre nossa tendencia a buscar a felicidade neste mundo e aconselham um estilo de vida mais ascetico preocupado com a vida apos a morte.[58] Mas outras correntes no islamismo recomendam uma abordagem equilibrada.[57]

Hinduismo

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O hinduismo constitui uma ampla familia de pontos de vista religioso-filosoficos.[59] Essas visoes apresentam diferentes perspectivas sobre a natureza e o papel do mundo. A filosofia Samkhya, por exemplo, e um dualismo metafisico que entende a realidade como composta por duas partes: purusha e prakriti.[60] O termo "purusha" representa o eu consciente individual que cada um de nos possui. Prakriti, por outro lado, e o unico mundo habitado por todos esses individuos.[61] Samkhya entende este mundo como um mundo de materia governado pela lei de causa e efeito.[60] O termo "materia" e entendido em um sentido muito amplo nesta tradicao, incluindo tanto os aspectos fisicos quanto mentais.[62] Isso se reflete na doutrina dos tattvas, segundo a qual prakriti e composto de 23 principios ou elementos diferentes da realidade.[62] Estes principios incluem tanto elementos fisicos, como agua ou terra, quanto aspectos mentais, como inteligencia ou impressoes sensoriais.[61] A relacao entre purusha e prakriti e geralmente concebida como uma de mera observacao: purusha e o eu consciente do mundo do prakriti, mas nao interage causalmente com ele.[60]

Uma concepcao muito diferente do mundo esta presente no Advaita Vedanta, a escola monista entre as escolas vedanticas.[59] Ao contrario da posicao realista defendida na filosofia Samkhya, o Advaita Vedanta ve o mundo da multiplicidade como uma ilusao, conhecida como Maya.[59] Esta ilusao tambem inclui nossa impressao de existir como seres separados que experimentam, chamados jivas.[63] Em vez disso, o Advaita Vedanta ensina que no nivel mais fundamental da realidade, referido como Brahman, nao existe pluralidade ou diferenca.[63] Tudo o que existe e um eu todo-abrangente: Atman.[59] A ignorancia e vista como a fonte desta ilusao, que resulta na escravidao ao mundo das meras aparencias. Mas a libertacao e possivel no curso da superacao desta ilusao atraves da aquisicao do conhecimento de Brahman, segundo o Advaita Vedanta.[63]

Termos e problemas relacionados

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Cosmovisoes

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Ver artigo principal: Cosmovisao

Uma cosmovisao e uma representacao abrangente do mundo e de nosso lugar nele.[64] Como representacao, e uma perspectiva subjetiva do mundo e, portanto, diferente do mundo que representa.[65] Todos os animais superiores precisam representar seu ambiente de alguma forma para poder navega-lo. Mas foi argumentado que apenas os humanos possuem uma representacao suficientemente abrangente para merecer o termo "cosmovisao".[65] Filosofos das cosmovisoes geralmente sustentam que a compreensao de qualquer objeto depende de uma cosmovisao que constitui o pano de fundo sobre o qual esta compreensao pode ocorrer. Isto pode afetar nao apenas nossa compreensao intelectual do objeto em questao, mas a experiencia dele em geral.[64] Portanto, e impossivel avaliar a cosmovisao de uma perspectiva neutra, ja que esta avaliacao ja pressupoe a cosmovisao como seu pano de fundo. Alguns sustentam que cada cosmovisao e baseada em uma unica hipotese que promete resolver todos os problemas de nossa existencia que podemos encontrar.[66] Segundo esta interpretacao, o termo esta estreitamente associado as cosmovisoes dadas por diferentes religioes.[66] As cosmovisoes oferecem orientacao nao apenas em questoes teoricas, mas tambem em questoes praticas. Por esta razao, geralmente incluem respostas a pergunta sobre o sentido da vida e outros componentes avaliativos sobre o que importa e como devemos agir.[67][68] Uma cosmovisao pode ser unica para um individuo, mas as cosmovisoes sao geralmente compartilhadas por muitas pessoas dentro de uma determinada cultura ou religiao.

Paradoxo de muitos mundos

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A ideia de que existem muitos mundos diferentes e encontrada em varios campos. Por exemplo, as teorias da modalidade falam de uma pluralidade de mundos possiveis e a interpretacao de muitos mundos da mecanica quantica carrega esta referencia ate mesmo em seu nome. Falar de mundos diferentes tambem e comum na linguagem cotidiana, por exemplo, com referencia ao mundo da musica, o mundo dos negocios, o mundo do futebol, o mundo da experiencia ou o mundo asiatico. Mas, ao mesmo tempo, os mundos sao geralmente definidos como totalidades que incluem tudo.[4][5][15][14] Isso parece contradizer a propria ideia de uma pluralidade de mundos, pois se um mundo e total e inclui tudo, entao nao pode haver nada fora dele. Assim entendido, um mundo nao pode ter outros mundos alem de si mesmo ou fazer parte de algo maior.[4][54] Uma maneira de resolver este paradoxo, mantendo a nocao de uma pluralidade de mundos, e restringir o sentido no qual os mundos sao totalidades. Nesta visao, os mundos nao sao totalidades em um sentido absoluto.[4] Isto pode ate ser entendido no sentido de que, estritamente falando, nao ha mundos em absoluto.[54] Outra abordagem entende os mundos em um sentido esquematico: como expressoes dependentes do contexto que representam o dominio atual do discurso. Assim, na expressao "A volta ao mundo em 80 dias", o termo "mundo" se refere a Terra enquanto na expressao "o Novo Mundo" se refere a massa terrestre da America do Norte e do Sul.[15]

Cosmogonia

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Ver artigo principal: Cosmogonia

A cosmogonia e o campo que estuda a origem ou a criacao do mundo. Isto inclui tanto a cosmogonia cientifica quanto os mitos da criacao encontrados em varias religioes.[69][70] A teoria dominante na cosmogonia cientifica e a teoria do Big Bang, segundo a qual o espaco, o tempo e a materia tem sua origem em uma singularidade inicial que ocorreu ha cerca de 13,8 bilhoes de anos. Esta singularidade foi seguida por uma expansao que permitiu ao universo esfriar o suficiente para a formacao de particulas subatomicas e atomos mais tarde. Estes elementos iniciais formavam nuvens gigantes, que depois se aglutinaram em estrelas e galaxias.[16] Mitos de criacao nao cientificos sao encontrados em muitas culturas e sao frequentemente representados em rituais que expressam seu significado simbolico.[69] Eles podem ser categorizados em relacao ao seu conteudo. Os tipos frequentemente encontrados incluem a criacao do nada, do caos ou de um ovo cosmico.[69]

Escatologia

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Ver artigo principal: Escatologia

A escatologia refere-se a ciencia ou doutrina das ultimas coisas ou do fim do mundo. E tradicionalmente associada a religiao, especificamente as religioes abraamicas.[71][72] Nesta forma, pode incluir ensinamentos tanto sobre o fim de cada vida humana individual quanto sobre o fim do mundo inteiro. Mas tambem foi aplicada a outros campos, por exemplo, na forma de escatologia fisica, que inclui especulacoes com base cientifica sobre o futuro distante do universo.[73] Segundo alguns modelos, havera um Big Crunch no qual todo o universo entra em colapso de volta em uma singularidade, possivelmente resultando em um segundo Big Bang depois. Mas as evidencias astronomicas atuais parecem sugerir que nosso universo continuara a se expandir indefinidamente.[73]

Historia mundial

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Ver artigo principal: Historia do mundo

A historia mundial estuda o mundo de uma perspectiva historica. Ao contrario de outras abordagens da historia, ela emprega um ponto de vista global. Trata menos de nacoes e civilizacoes individuais, as quais normalmente estuda com um alto nivel de abstracao.[74] Em vez disso, concentra-se em regioes e zonas de interacao mais amplas, muitas vezes com interesse em como pessoas, bens e ideias se movem de uma regiao para outra.[75] Inclui comparacoes de diferentes sociedades e civilizacoes, alem de considerar desenvolvimentos de amplo alcance com um impacto global a longo prazo, como o processo de industrializacao.[74] A historia mundial contemporanea e dominada por tres paradigmas principais de pesquisa que determinam a periodizacao em diferentes epocas.[76] Um deles e baseado nas relacoes produtivas entre os seres humanos e a natureza. As duas mudancas mais importantes na historia a esse respeito foram a introducao da agricultura e da pecuaria em relacao a producao de alimentos, que comecou por volta de 10.000 a 8.000 a.C. e as vezes e denominada revolucao neolitica, e a revolucao industrial, que comecou por volta de 1760 d.C. e envolveu a transicao da fabricacao manual para a industrial.[77][78][76] Outro paradigma, com foco na cultura e religiao, e baseado nas teorias de Karl Jaspers sobre a era axial, uma epoca em que varias novas formas de pensamentos religiosos e filosoficos apareceram em varias partes separadas do mundo ao redor do tempo entre 800 e 200 a.C.[76] Uma terceira periodizacao e baseada nas relacoes entre as civilizacoes e as sociedades. De acordo com este paradigma, a historia pode ser dividida em tres periodos em relacao a regiao dominante no mundo: o dominio do Oriente Medio antes de 500 a.C., o equilibrio cultural eurasiano ate 1500 d.C. e o dominio ocidental desde 1500 d.C. [76] A Grande Historia (Big History) emprega uma visao ainda mais ampla do que a historia mundial, colocando a historia humana no contexto da historia do universo como um todo. Comeca com o Big Bang e traca a formacao das galaxias, o sistema solar, a Terra, suas eras geologicas, a evolucao da vida e dos seres humanos ate os dias atuais.[76]

Politica mundial

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A politica mundial, tambem conhecida como politica global ou relacoes internacionais, e a disciplina da ciencia politica que estuda questoes de interesse para o mundo que transcendem nacoes e continentes.[79][80] Tem como objetivo explicar padroes complexos encontrados no mundo social que muitas vezes estao relacionados a busca de poder, ordem e justica, geralmente no contexto da globalizacao. Se concentra nao apenas nas relacoes entre os estados-nacao, mas tambem considera outros atores transnacionais, como corporacoes multinacionais, grupos terroristas ou organizacoes nao governamentais.[81] Por exemplo, tenta explicar eventos como os ataques de 11 de setembro de 2001, a guerra de 2003 no Iraque ou a crise financeira de 2007-2008.

Varias teorias foram propostas para abordar a complexidade envolvida na formulacao de tais explicacoes.[81] Essas teorias sao as vezes divididas em realismo, liberalismo e construtivismo.[82] Os realistas veem os estados-nacao como os principais atores da politica mundial. Eles constituem um sistema internacional anarquico sem qualquer poder superior para controlar seu comportamento. Sao vistos como agentes soberanos que, determinados pela natureza humana, agem segundo seu interesse nacional. A forca militar pode desempenhar um papel importante na luta subsequente pelo poder entre os estados, mas a diplomacia e a cooperacao tambem sao mecanismos chave atraves dos quais as nacoes atingem seus objetivos.[81][83][84] Os liberalistas reconhecem a importancia dos estados-nacao mas tambem enfatizam o papel dos atores transnacionais, como as Nacoes Unidas ou a Organizacao Mundial do Comercio. Eles veem os seres humanos como perfectiveis e enfatizam o papel da democracia neste processo. A ordem emergente na politica mundial, nesta perspectiva, e mais complexa do que um mero equilibrio de poder, ja que mais agentes e interesses diferentes estao envolvidos em sua producao.[81][85] O construtivismo atribui mais importancia a agencia dos seres humanos individuais do que o realismo e o liberalismo. Entende o mundo social como uma construcao das pessoas que vivem nele. Isto leva a uma enfase na possibilidade de mudanca. Se o sistema internacional e uma anarquia de estados-nacao, como os realistas sustentam, entao isto so e assim porque o fizemos desta forma e pode muito bem mudar, ja que isto nao e prefigurado pela natureza humana, segundo os construtivistas.[81][86]

Referencias

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