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Bob Dylan

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Bob Dylan
Dylan em 2019
Nome completoRobert Allen Zimmerman
Pseudonimo(s)Bob Dylan
Outros nomes
  • Robert Dylan (legal)
  • Shabtai Zissel ben Avraham (em hebraico: SHbty zysl bn Abrhm; romaniz.: Shabtai Zisl ben Avraham)[1][2]
  • Elston Gunnn
  • Blind Boy Grunt
  • Bob Landy
  • Robert Milkwood Thomas
  • Tedham Porterhouse
  • Lucky Wilbury
  • Boo Wilbury
  • Jack Frost
  • Sergei Petrov
  • Zimmy
Nascimento
24 de maio de 1941 (84 anos)

ResidenciaMalibu, California, Estados Unidos
Nacionalidadenorte-americano
Etniajudaica (asquenaz)
Conjuge
  • Sara Noznisky (c. 1965; div. 1977)
  • Carolyn Dennis (c. 1986; div. 1992)
Filho(a)(s)6, incluindo Jesse Dylan e Jakob Dylan
Ocupacao
Periodo de atividade1959-presente[3]
Premios Nobel de Literatura(2016)
Filiacao
Carreira musical
Genero(s)
Instrumento(s)
Gravadora(s)
Websitebobdylan.com
Assinatura

Bob Dylan, nascido Robert Allen Zimmerman (Duluth, 24 de maio de 1941) e um cantor, compositor, escritor, ator, pintor e artista visual norte-americano, e uma importante figura na cultura popular ha mais de sessenta anos. Grande parte do seu trabalho mais celebre data da decada de 1960, quando cancoes como "Blowin' in the Wind" (1963) e "The Times They Are a Changin'" (1964) se tornaram hinos dos movimentos pelos direitos civis e de oposicao a Guerra do Vietna. Suas letras durante esse periodo incorporaram uma ampla gama de influencias politicas, sociais, filosoficas e literarias, desafiaram as convencoes da musica pop e apelaram a crescente contracultura. Por conta disso, a musica folk, na cultura norte-americana, atingiu o auge de popularidade nas decadas de 1950 e 1960 e Bob Dylan incorporou as tensoes dessa epoca da melhor forma, com foco nos detalhes e humor.[4]

Nascido no estado de Minnesota, neto de imigrantes judeus russos, aos dez anos de idade Dylan escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho. Comecou cantando em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, mas quando foi para a Universidade de Minnesota em 1959, voltou-se para a folk music, impressionado com a obra musical do lendario cantor folk Woody Guthrie, a quem foi visitar em Nova Iorque em 1961.

Em 2004 foi eleito pela revista Rolling Stone o 7o maior cantor de todos os tempos e, pela mesma revista, o 2o melhor artista da musica de todos os tempos, ficando atras somente dos Beatles, e uma de suas principais cancoes, "Like a Rolling Stone", foi escolhida como a melhor de todos os tempos.[5] Influenciou diretamente grandes nomes do rock americano e britanico dos anos de 1960 e 1970. Em 2012, Dylan foi condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo presidente dos Estados Unidos Barack Obama.[6]

Foi laureado com o Nobel da Literatura de 2016, por "ter criado novos modos de expressao poetica no quadro da tradicao da musica americana".[7] E, assim, tornou-se o primeiro e unico artista na historia a ganhar, alem do Premio Nobel, o Pulitzer, o Oscar, o Grammy e o Globo de Ouro.[8][9]

Biografia

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1941-1960

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Robert Allen Zimmerman (nome hebraico: Zushe ben Avraham)[10] nasceu no hospital St. Mary de Duluth, em Minnesota, no dia 24 de maio de 1941[11] e cresceu em Hibbing, Minnesota, no Mesabi Iron Range a oeste do Lago Superior. Os estudos realizados por varios de seus biografos mostraram que seus avos paternos, Zigman e Anna Zimmerman, emigraram de Odessa (atual Ucrania) para os Estados Unidos por causa de um pogrom antissemita ocorrido em 1905.[12] Seus avos maternos, Benjamin e Lybba Edelstein, eram judeus lituanos que chegaram a America em 1902.[12] Em sua autobiografia, Cronicas, Vol. 1, Dylan escreveu que o apelido de sua avo materna era Kyrgyz e que sua familia era procedente de Istambul.[13]

Seus pais, Abram Zimmerman e Beatrice "Beatty" Stone, faziam parte de uma pequena mas muito unida comunidade judaica. Robert Zimmerman viveu em Duluth ate seus seis anos, quando seu pai contraiu poliomielite e sua familia voltou a cidade natal de sua mae, Hibbing, Minnesota, onde passou o resto de sua infancia.[14] Robert passou boa parte de sua juventude escutando radio: em um primeiro momento, escutando emissoras de Shreveport, em Louisiana, country, e posteriormente, rock and roll.[15] Durante sua estadia na escola, formou varias bandas, como The Shadow Blasters, de curta duracao, e The Golden Chords,[16] com a qual chegaria a tocar no programa de busca de talentos Rock and Roll Is Here to Stay.[17] No anuario escolar de 1959, Robert Zimmerman assinalou sua principal ambicao "unir-se a Little Richard".[18] No mesmo ano, usando o pseudonimo de Elston Gunn, tocou em duas apresentacoes com Bobby Vee, acompanhando ao piano e improvisando com palmas.[19][20][21]

Em setembro de 1959, Zimmerman se mudou para Minneapolis, para estudar na Universidade de Minnesota. Durante a epoca, seu interesse inicial no rock and roll deu lugar a uma aproximacao ao folk. Em 1985, Dylan explicou sua atracao pelo folk: "A coisa sobre o rock'n'roll e que para mim de qualquer jeito ele nao era suficiente... Havia bons bordoes e ritmo pulsante... mas as cancoes nao eram serias ou nao refletiam a vida de um modo realista. Eu sabia que quando eu entrei na musica folk, era um tipo de coisa mais serio. As cancoes eram enchidas com mais desespero, mais tristeza, mais triunfo, mais fe no sobrenatural, sentimentos mais profundos".[22] Logo comecou a tocar no 10 O'Clock Scholar, uma cafeteria a poucas quadras do campus universitario, e se viu envolvido no circuito folk de Dinkytown.[23]

Durante seus dias en Dinkytown, Zimmerman passou a se chamar de "Bob Dylan". Em uma entrevista concedida em 2004, Dylan disse: "Voce nasce, sabe, com nomes errados, pais errados. Digo, isso acontece. Voce se chama do que quiser se chamar. Este e o pais da liberdade".[16] Em sua autobiografia, Cronicas, Vol. 1, Dylan escreveu sobre a mudanca de nome:

"Eu havia visto alguns poemas de Dylan Thomas. A pronuncia de Dylann e Allyn era parecida. Robert Dylan. A letra D tinha mais forca. Entretanto, o nome Roberto Dylan nao era tao atraente como Robert Allyn. As pessoas sempre haviam me chamado de Robert ou Bobby, mas Bobby Dylan me parecia vulgar, e alem disso ja haviam Bobby Darin, Bobby Vee, Bobby Rydell, Bobby Neely e muitos outros Bobbies. A primeira vez que me perguntaram meu nome em Saint Paul, instintiva e automaticamente soltei: 'Bob Dylan'".[24]
Bob Dylan em novembro de 1963.

1960-1963: Mudanca para Nova Iorque e contrato de gravacao

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Dylan abandonou a universidade apos seu primeiro ano. Em janeiro de 1961, mudou-se para Nova Iorque com a esperanca de ver seu idolo musical, Woody Guthrie, que estava gravemente doente, com um estado avancado do mal de Hutington no hospital psiquiatrico de Greystone Park.[25] Guthrie foi uma das maiores influencias nas primeiras apresentacoes de Dylan. Sobre Guthrie, Dylan chegou a dizer: "Voce pode escutar suas cancoes e aprender a viver".[18] Tambem escreveu, posteriormente: "As cancoes em si tem o infinito alcance de humanidade nelas... [Ele] era a verdadeira voz do espirito americano. Eu disse a mim que seria o maior discipulo de Guthrie".[26] A medida que o visitava no hospital, Dylan ficou amigo do assistente de Guthrie, Ramblin' Jack Elliott. Muito do repertorio de Guthrie era na verdade canalizado atraves de Elliott, a quem Dylan prestou tributo em Cronicas (2004).[27]

A partir de fevereiro de 1961, Dylan tocou em varios clubes do bairro de Greenwich Village. Em setembro, ele comecou a ganhar certa reputacao gracas a uma resenha de Robert Shelton no The New York Times durante uma apresentacao no Gerde's Folk City.[28] No mesmo mes, Dylan tocou a harmonica para Carolyn Hester durante a gravacao de seu terceiro album, o que levou seus talentos para a atencao do produtor John H. Hammond.[29] Hammond contratou Dylan para a Columbia Records em outubro.

As interpretacoes incluidas em seu primeiro trabalho para a Columbia, intitulado Bob Dylan e lancado em 1962, consistiam em material de musica folk, blues e gospel combinado com duas composicoes proprias, "Song to Woody" e "Talkin' New York". O album teve pouco exito comercial, vendendo cinco mil copias em seu primeiro ano, o suficiente para uma rescisao de contrato.[30] Dentro da Columbia, Dylan comecou a ser tachado como a "tolice de Hammond" e sugeriram findar seu contrato. Apesar disso, Hammond defendeu vigorosamente Dylan, e ao mesmo tempo encontrou um bom defensor em Johnny Cash, que havia assinado pela Columbia meses antes.[30] Durante seu trabalho para a Columbia, Dylan tambem gravou varias cancoes sob o pseudonimo de Blind Boy Grunt[31] para a revista de musica folk Broadside Magazine, uma revista e gravadora de musica folk.[32] Dylan usou o pseudonimo Bob Landy para gravar como tocador de piano no album de antologia de 1964, The Blues Project, lancado pela Elektra Records.[31] Sob o pseudonimo de Tedham Porterhouse, Dylan contribuiu com a harmonica para o album de 1964 de Ramblin' Jack Elliott, Jack Elliott.[31]

Bob Dylan com Joan Baez na Marcha por Trabalho e Liberdade em Washington, D.C., em 1963.

Em agosto de 1962, Dylan deu dois importantes passos em sua carreira musical ao modificar seu nome legalmente para Robert Dylan na Corte Suprema de Nova Iorque e ao firmar um contrato de representacao com Albert Grossman. Grossman foi o empresario de Dylan ate 1970 e se caracterizou por sua personalidade algumas vezes confrontativa e pela extrema protecao que mostrava para seu principal cliente.[33] Dylan descreveria posteriormente Grossman como "uma especie de Coronel Tom Parker... voce podia cheira-lo vindo".[34] As tensoes entre Grossman e John Hammond obrigaram o segundo a abandonar as sessoes de gravacao do segundo trabalho discografico de Dylan, sendo substituido pelo jovem produtor Tom Wilson.[35]

De dezembro de 1962 a janeiro de 1963, Dylan fez sua primeira viagem ao Reino Unido.[36] Ele foi convidado pelo diretor de televisao Philip Saville para aparecer em um drama The Madhouse on Castle Street, o qual Saville estava dirigindo a emissora BBC.[37] No fim da apresentacao, Dylan tocou "Blowin' in the Wind", uma das primeiras exibicoes da cancao para um publico maior.[38] Enquanto em Londres, Dylan tocou em alguns clubes folk da cidade, como Les Cousins, The Pinder of Wakefield,[39] e Bunjies.[36] Ele tambem aprendeu novas cancoes de alguns interpretes britanicos, como Martin Carthy.[36]

Proximo da epoca de seu segundo album, The Freewheelin' Bob Dylan, lancado em maio de 1963, ele comecou a fazer seu nome como cantor e compositor. Muitas das cancoes incluidas no album foram classificadas como cancoes de protesto, inspiradas parcialmente em Woody Guthrie e influenciadas pela paixao de Pete Seeger por cancoes tradicionais.[40] "Oxford Town", por exemplo, e um conto ironico sobre a arriscada matricula de James Meredith como o primeiro negro na universidade do Mississippi.[41]

Sua mais famosa cancao a epoca, "Blowin' in the Wind", deriva parcialmente sua melodia da cancao tradicional "No More Auction Block", apesar de sua letra questionar o status quo social e politico da epoca.[42] A cancao teve muitas versoes e tornou-se um sucesso internacional com Peter, Paul and Mary, criando um precedente para muitos outros artistas que se alcariam com sucessos atraves de composicoes de Dylan. Por sua parte, a cancao "A Hard Rain's a-Gonna Fall" se baseia nos acordes da balada folk "Lord Randall". Com suas referencias ao apocalipse nuclear, a cancao ganhou ressonancia durante o desenrolar da crise dos misseis de Cuba, poucas semanas depois de Dylan comecar a toca-la.[43] Como "Blowin' in the Wind", "A Hard Rain's a-Gonna Fall" marcou uma importante direcao na composicao de novas cancoes, mesclando o uso do fluxo de consciencia e a lirica imagista com as formas tradicionais do folk.[44]

Enquanto as primeiras cancoes de Dylan solidificaram sua reputacao inicial, The Freewheelin' Bob Dylan tambem incluia cancoes de amor mescladas com uma lirica ironica e blues falado surreal. O humor se converteu em um dos pilares da personalidade de Dylan,[45] e a variedade de material impressionou muitos ouvintes, incluindo os Beatles. George Harrison comentou: "So colocavamos e nos viajava. O conteudo das letras de suas cancoes e so a atitude - era incrivelmente original e maravilhoso".[46]

A voz aspera de Dylan era perturbadora para alguns ouvintes iniciais, ao mesmo tempo que uma atracao para outros. Descrevendo o impacto que Dylan havia ocasionado em seu marido e nela mesma, Joyce Carol Oates escreveu: "Quando escutei pela primeira vez essa voz crua, muito jovem e parecendo nao treinada, francamente nasal, como se a lixa pudesse falar, o efeito foi dramatico e eletrificante".[47] Muitas de suas primeiras cancoes famosas alcancaram o publico em geral atraves de versoes imediatamente mais palataveis de outros interpretes, como Joan Baez, que se converteu na protetora de Dylan assim como sua posterior amante.[16] Baez foi determinante na hora de levar Dylan a popularidade nacional e internacional com numerosas versoes de suas cancoes e ao convida-lo frequentemente ao palco em suas apresentacoes.[48]

Alguns outros que gravaram e tiveram sucessos com cancoes de Dylan no inicio e metade da decada de 1960 foram The Byrds, Sonny & Cher, The Hollies, Peter, Paul and Mary, The Association, Manfred Mann e The Turtles. A maioria tentou dar uma batida pop e ritmo as cancoes, enquanto Dylan e Baez os tocavam na maior parte como pecas folk esparsas. As versoes cover tornaram-se tao ubiquas que a CBS comecou a promove-lo com a frase "Nobody Sings Dylan Like Dylan".[49]

Transicao

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Mas logo Dylan mudou de rumos artisticos, afastando-se do movimento folk de protesto e voltando-se para cancoes mais pessoais, introspectivas, ligadas a uma visao muito particular de mundo. As questoes sociopoliticas de seu tempo: racismo, Guerra Fria, Guerra do Vietna, injustica social, cedem espaco para a tematica das desilusoes amorosas, amores perdidos, vagabundos errantes, liberdade pessoal, viagens oniricas e surrealistas, embaladas pela influencia da poesia beat. Esta transicao se da entre 1964 e 1966, quando Dylan eletrifica a sua musica, passa a tocar com uma banda de blues-rock como apoio e choca a plateia folk, com sua aproximacao ao rock. Na epoca, muitos ignoravam que Dylan ja havia tocado rock and roll na adolescencia e apreciava artistas country como Johnny Cash, que ja trabalhavam com instrumentos eletricos desde os anos 50. O sucesso dos Beatles e demais roqueiros britanicos na releitura do rock americano tambem lhe chamaram a atencao. Em compensacao, foi aclamado pela critica, ampliou o seu publico (mesmo sendo chamado de "traidor" por fas do Dylan cantor folk), tornando-se cada vez mais influente entre artistas contemporaneos (John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr por exemplo) e lancando os mais apreciados discos de sua carreira, com uma serie de cancoes classicas de seu repertorio: "Maggie's Farm", "Subterranean Homesick Blues", "Gates of Eden", "It's Alright Ma (I'm Only Bleeding)", "Mr. Tambourine Man", "Ballad of a Thin Man", "Like a Rolling Stone", "Just Like a Woman", entre outras, lancadas em seus albuns mais inspirados: Bringing It All Back Home e Highway 61 Revisited de 1965 e o duplo Blonde on Blonde, de 1966.

Em maio de 1966, apos uma tumultuada turne pela Inglaterra, devido ao formato rock dos shows, Dylan sofreu um grave acidente de moto que o afastou dos palcos e gravacoes ate 1968. Em seu retorno, surpreendeu o publico e a critica com o album "John Wesling Hardin", fortemente influenciado pelo country, tendencia que acentuou-se no trabalho seguinte, "Nashville Skyline", que trouxe o classico "Lay Lady Lay" para as paradas. Limitando-se a apresentacoes esporadicas, das quais a mais importante foi sua participacao no Festival da Ilha de Wight em agosto de 1969, alem de sua participacao no Concerto para Bangladesh, organizado por George Harrison em 1971, Dylan so voltaria a realizar turnes em 1974.

O que produziu no inicio dos anos 70 nao foi bem recebido pela critica, considerado muito abaixo de seus hits originais. Apenas algumas cancoes destacam-se: "If Not For You" (1970), "Knockin' on Heaven's Door" (1973), "Forever Young" (1974). Mas ao voltar as turnes, acompanhado pelo grupo The Band, retorna a evidencia e ao sucesso, principalmente pelo elogiado duplo ao vivo "Before the Flood" (1974). Na retomada da carreira de forma mais ativa, Dylan produz "Blood On Tracks" (1975) e "Desire" (1976), seus melhores discos nos anos 70, aclamados pela critica. Deste ultimo, a cancao "Hurricane", baseada na historia de Rubin Carter, um boxeador negro preso injustamente, foi um sucesso espetacular, ao mesmo tempo que a turne Rolling Thunder Revue (75/76) era aclamada por critica e publico. Sao tambem de Desire as musicas Sara (dedicada a sua esposa) e Romance in Durango, essa ultima vertida para Romance no Deserto pelo letrista Fausto Nilo para o disco de mesmo nome do cantor Raimundo Fagner.

Conversao

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Apresentacao de Bob Dylan em Rotterdam, 23 De junho de 1978

Apos seu divorcio em 1977, da esposa Sara Lownds, com quem era casado desde 1965, Dylan viveu uma grande crise pessoal, que refletiu-se em seu trabalho artistico. Depois de uma turne mundial em 1978, em parte registrada no duplo ao vivo "At Budokan" (gravado no Japao), ele voltou-se para a musica gospel, apos converter-se ao cristianismo e filiar-se a uma igreja. Foi o periodo mais controverso e polemico de sua carreira, principalmente por Dylan afastar-se de seu repertorio classico e investir em cancoes com tematica crista. Nesta nova fase, surpreendeu seus antigos fas e se aproximou de musicos do segmento cristao, como Larry Norman,[50] Chuck Girard[51] e Keith Green, em cujo album "So You Wanna Go Back to Egypt" chega a gravar uma participacao com sua harmonica.[52]

Mais importante do que isso, motivado por sua nova espiritualidade, Dylan gravou tres albuns: "Slow Train Coming" (1979) considerado o mais inspirado dos tres, deu a Dylan um Grammy de melhor vocal masculino, pela cancao "Gotta Serve Somebody". O segundo album, "Saved" (1980), teve uma recepcao menos entusiasmada, embora na opiniao de Kurt Loder da Rolling Stone este album fosse superior ao primeiro.[53] "Shot of Love" (1981) encerra a fase crista de Dylan.

A despeito da intolerancia das criticas a epoca do seu lancamento, em 2003, o conteudo das musicas de "Gotta Serve Somebody" foi depurado, revisitado e redimido por nomes como Shirley Caesar, Helen Baylor, Chicago Mass Choir e outros representantes da musica afro-americana, em "The Gospel Songs of Bob Dylan", um CD que se desdobrou em indicacao para o Grammy e em documentario (2006) sobre esta fase. O jornal International Herald Tribune declarava que a interpretacao afro-americana levava a musica de Dylan a um outro patamar.[54]

Com "Infidels", de 1983, Dylan afasta-se da fe crista, volta-se inesperadamente para as suas raizes judaicas e parece reencontrar certo equilibrio artistico. Bem recebido pela critica, e considerado seu melhor album desde Desire. As apresentacoes ao vivo, em que volta a interpretar suas cancoes classicas, marcam uma reconciliacao com seu publico. Em 1985 participa do especial We are the world com outros 40 grandes nomes da musica estadunidense - entre eles Michael Jackson, Tina Turner, Ray Charles, Stevie Wonder - pela campanha contra a fome na Africa.

Dylan continua a gravar regularmente, buscando uma sonoridade "made anos 80" ao mesmo tempo em que tenta preservar seu estilo. "Down In The Groove", album de 1988, passou despercebido, contem varias covers, mas equivale a uma declaracao de principios, com cancoes de folk-rock, gospel, rock, que demarcam os gostos artisticos preferenciais do artista. Depois de uma turne com a lendaria banda californiana Grateful Dead, ele lanca o album "Oh Mercy" (1989), elogiado pela qualidade inesperada das cancoes e volta as paradas com o super-grupo Traveling Wilburys, formado com os amigos George Harrison, Tom Petty, alem de Jeff Lynne e Roy Orbison.

Bob Dylan no Lida Festival de Estocolmo, Suecia, em 1996.

No inicio dos anos 90, Bob Dylan parece dar uma "parada" na carreira. Para comemorar e fazer um balanco de seus 30 anos de trajetoria, ele volta a gravar folk tradicional, acustico, sem importar-se com o pouco apelo comercial deste genero nos dias atuais. Em 1992 e realizado um show-tributo em grande estilo, com a participacao de varios nomes do rock, country e do soul cantando suas musicas entre eles: Eric Clapton, George Harrison, Stevie Wonder, Neil Young, Willie Nelson, Lou Reed, Eddie Vedder entre outros.

Depois do acustico produzido para a MTV em 1994, Dylan so voltaria com um CD de ineditas em 1997 (ano que varios outros famosos voltaram a ativa com sucesso, entre eles os Bee Gees). O album "Time Out Of Mind" ganharia varios premios Grammy e foi considerado por muitos uma nova ressurreicao artistica, confirmada pela qualidade de "Love and Theft" (2001). Neste mesmo ano a revista Rolling Stone publicou uma lista com as 500 melhores musicas da historia e em primeiro lugar ficou Like a Rolling Stone, de Bob Dylan. Atualmente registra-se um novo interesse pela vida e obra de Dylan, com o lancamento oficial de varias gravacoes piratas, alem do lancamento do documentario "No Direction Home", de Martin Scorsese, que flagra os anos iniciais de sua carreira (1961-1966) e, mais recentemente, com "Modern Times", seu novo album lancado em 2006, com o qual, pela quarta vez na carreira, Dylan conquistou a lideranca do ranking dos mais vendidos dos Estados Unidos, vendendo 192 mil copias na primeira semana. A ultima vez que Dylan tinha alcancado a lideranca nos Estados Unidos, foi com o album "Desire", de 1976, que ficou 5 semanas no topo das paradas. Antes disso, alcancou o primeiro lugar com o classico disco "Blood On The Tracks", em 1975, e com "Planet Waves", no ano anterior.

Seculo XXI e Premio Nobel 2016

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Em 13 de outubro de 2016, foi anunciada a escolha de Bob ao Premio Nobel da Literatura de 2016, em um evento em Estocolmo, na Suecia. Bob Dylan foi acusado de ser arrogante, inclusive por membros da Academia Sueca, pois ficou em silencio apos o anuncio de seu premio Nobel de Literatura e nao respondeu as insistentes ligacoes da Academia.[55]

Somente duas semanas depois, no dia 28 de outubro, Bob Dylan quebrou o silencio acerca do Nobel. O cantor disse que e algo "dificil de acreditar", alem de considerar "surpreendente e incrivel" o laureamento. Contudo, o cantor nao compareceu a cerimonia de premiacao, alegando ter "outros compromissos".[56][57] Patti Smith o representou na cerimonia, com uma interpretacao de "A Hard Rain's A-Gonna Fall", uma das composicoes mais emblematicas de Dylan.[58]

Bob Dylan so veio a receber as premiacoes do Nobel - que incluem uma medalha, um diploma e cerca de 8 milhoes de coroas suecas (US$ 900 mil) em 1 de abril de 2017, apos um encontro discreto com os representantes da Academia Sueca em Estocolmo.[59][60]

Em 6 de junho de 2017, a palestra Nobel de Dylan foi postada na pagina oficial do Premio Nobel. A secretaria da academia Sara Danius comentou: "A conversa e extraordinaria e, como se pode esperar, eloquente. Agora que a palestra foi entregue, a aventura Dylan esta chegando ao fim".[61] Em seu ensaio Dylan escreve em detalhes sobre o impacto que tres livros influentes - Moby Dick de Herman Melville, Odisseia de Homero e Nada de Novo no Front de Erich Maria Remarque - tiveram sobre ele. Dylan conclui: "Nossas letras sao vivas na terra dos vivos. Mas as letras sao diferentes da literatura. Elas devem ser cantadas, nao lidas. As palavras nas pecas de Shakespeare devem ser atuadas no palco. Assim como as letras de musicas sao cantadas, nao lidas em uma pagina. E espero que alguns de voces tenham a chance de ouvir essas letras da maneira como elas foram destinadas a serem ouvidas: em concertos ou gravadas ou como quer que as pessoas estao ouvindo musicas atualmente. Volto mais uma vez a Homero, que diz: "Cante em mim, oh Musa, e atraves de mim conte a historia".[62]

Em Marco de 2020, Dylan divulgou a sua primeira musica original, desde o album de 2012 Tempest. "Murder Most Foul" e uma cancao de 17 minutos que fala do assassinato de John F. Kennedy.[63]

Discografia

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Ver artigo principal: Discografia de Bob Dylan


Bob Dylan tambem pinta e desenha tendo lancado um livro de desenhos "Drawn Blank" em 1994.

Fez a sua primeira exposicao denominada "The Drawn Blank Series" no Museu Kunstsammlungen em Chemnitz (Alemanha) (onde ha obras de Munch e Picasso) entre outubro de 2007 e 3 de fevereiro de 2008 com 175 aquarelas e guaches.

Escritor

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Dylan escreveu o livro Tarantula em 1966, mas so foi publicado em 1971 (New York: Macmillan). No Brasil, o livro foi publicado em 1986 pela Editora Brasiliense (Colecao Circo de Letras) com traducao de Paulo Henriques Britto. Foi publicado em Portugal em 2007, com traducao de Vasco Gato (Vila Nova de Famalicao: Quasi).

Embora durante toda a sua vida Dylan tenha publicado as suas songs book, parece ser com o titulo de Lyrics que ira sucessivamente editar a compilacao das letras das suas composicoes: lyrics de 1962-1985 (1985); em 1997, ampliadas ao periodo 1962-1996; em 1999, ate 1999; em 2004, compreende as lyrics entre 1962-2001; em 2008, intituladas simplesmente Lyrics; e finalmente em 2014, sob o titulo The Lyrics: since 1962, ed. por Christopher Ricks, Lisa Nemrow e Julie Nemrow (Nova Iorque: Simon & Schuster).

Em Portugal, as suas letras das cancoes foram editadas em dois volumes pela editora Relogio d'Agua, em 2006 e 2008, respetivamente, abrangendo os periodos temporais indicados nos titulos: Cancoes 1962-2001 - Volume 1 (1962-1973), Volume 2 (1974-2001), ambos com traducoes de Angelina Barbosa e Pedro Serrano.

Mais recentemente, em 2004, saiu a publico o primeiro volume da autobiografia de Dylan, Chronicles, volume one (New York: Simon & Schuster), que teve logo traducao portuguesa por Barbara Pinto Coelho: Cronicas (Lisboa: Ulisseia, 2005) e brasileira, por Lucia Brito: Cronicas Vol. I (Sao Paulo: Planeta, 2005).

Dylan e amigo de Caetano Veloso, amizade nascida apos a leitura do livro Verdade Tropical.

Em 13 de outubro de 2016, a Academia Sueca agraciou o poeta-cantor com o Premio Nobel de Literatura por "ter criado novos modos de expressao poetica no quadro da tradicao da musica americana". Esta atribuicao inesperada do maior premio... da literatura a alguem que era conhecido no mundo da musica foi algo controverso e fez correr muita tinta.

Em Portugal

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Bob Dylan deu sete concertos em Portugal, os primeiros em Julho 1993, no Coliseu do Porto e no Pavilhao de Cascais.

Em Abril de 1999 deu dois concertos no entao Pavilhao Atlantico, em Lisboa, e no Coliseu do Porto. Em julho de 2004, apresentou-se em Vilar de Mouros e, em 2008, no festival Nos Alive, em Alges, tendo em 2018 se apresentado na Altice Arena.

Volta a Portugal a 1 de Maio de 2019 no Coliseu do Porto.

Bob Dylan e uma influencia assumida por musicos e compositores portugueses como Sergio Godinho,[64] Jorge Palma,[65] Jorge Cruz[carece de fontes?] e Samuel Uria.[66]

Em Novembro de 2022, a Livraria Lello adquiriu um conjunto de 42 cartas escritas por Bob Dylan na decada de 1950, por mais de 500 mil euros, num leilao em Nova Iorque.[67]

Ver tambem

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Referencias

  1. | Ktorza, Ari; Ben Zvi, Shlomo (Novembro de 2018). <>. Segula Magazine. 45 (45): 51
  2. | Erro de citacao: Etiqueta invalida; nao foi fornecido texto para as "refs" nomeadas Sounes14
  3. | Bob Dylan. The Rock and Roll Hall of Fame and Museum. Consultado em 26 de janeiro de 2019.
  4. | Dimery, Robert (2007). 1001 DISCOS PARA OUVIR ANTES DE MORRER. Rio de Janeiro: Sextante
  5. | <'>> (em ingles). Rolling Stone. Consultado em 28 de setembro de 2012
  6. | Tom Cohen (29 de maio de 2012). <>. CNN (em ingles). CNN U. S. Consultado em 28 de setembro de 2012
  7. | Group, Global Media. <>. TSF Radio Noticias
  8. | Folha de S. Paulo (9 de dezembro de 2016). <>. Folha de S. Paulo: C6
  9. | <>. O Globo. 13 de outubro de 2016. Consultado em 12 de dezembro de 2016
  10. | <> (em ingles). Chabad.org News. 24 de setembro de 2007. Consultado em 24 de maio de 2011
  11. | <>. Consultado em 24 de maio de 2011
  12. | a b Sounes, Down The Highway: The Life Of Bob Dylan, pp. 12-13. ISBN 0-8021-1686-8
  13. | Dylan, Chronicles, Volume One (em ingles), pp. 92-93. ISBN 0-7432-2815-4
  14. | Shelton, No Direction Home (em ingles), pp. 25-33. ISBN 0-306-81287-8
  15. | Shelton, No Direction Home, pp. 38-39. ISBN 0-306-81287-8
  16. | a b c <> (em ingles). Contactmusic.com. Consultado em 1 de abril de 2009
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  18. | a b Shelton, No Direction Home, pp. 39-43. ISBN 0-306-81287-8
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  42. | O livreto escrito por John Bauldie que acompanha o album The_Bootleg_Series_Volumes_1-3_(Rare_&_Unreleased)_1961-1991 (1991) diz: "Dylan reconheceu a divida em 1978 ao Marc Rowland: Blowin' In The Wind' sempre foi um espiritual. Eu a tirei de uma cancao chamada 'No More Auction Block'--que e um espiritual e 'Blowin' In The Wind' segue o mesmo sentimento." pp. 6-8.
  43. | Heylin, Bob Dylan: Behind the Shades Revisited, pp. 101-103. ISBN 0-06-052569-X
  44. | Ricks, Dylan's Visions of Sin (en ingles), pp. 329-344. ISBN 0-670-80133-X
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Ligacoes externas

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Precedido por
Svetlana Alexijevich
Nobel de Literatura
2016
Sucedido por
Kazuo Ishiguro
Albuns de estudio
Albuns ao vivo
Compilacoes
Box sets
Filmes
Projetos paralelos
Artigos relacionados

1959: The Music from Peter Gunn - Henry Mancini
1960: Come Dance with Me! - Frank Sinatra
1961: The Button-Down Mind of Bob Newhart - Bob Newhart
1962: Judy at Carnegie Hall - Judy Garland
1963: The First Family - Vaughn Meader
1964: The Barbra Streisand Album - Barbra Streisand
1965: Getz/Gilberto - Stan Getz, Joao Gilberto
1966: September of My Years - Frank Sinatra
1967: A Man and His Music - Frank Sinatra
1968: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - The Beatles
1969: By the Time I Get to Phoenix - Glen Campbell
1970: Blood, Sweat & Tears - Blood, Sweat & Tears
1971: Bridge Over Troubled Water - Simon & Garfunkel
1972: Tapestry - Carole King
1973: The Concert for Bangladesh - George Harrison, Ravi Shankar, Bob Dylan, Leon Russell, Ringo Starr, Billy Preston, Eric Clapton & Klaus Voormann
1974: Innervisions - Stevie Wonder
1975: Fulfillingness' First Finale - Stevie Wonder
1976: Still Crazy After All These Years - Paul Simon
1977: Songs in the Key of Life - Stevie Wonder
1978: Rumours - Fleetwood Mac
1979: Saturday Night Fever - varios artistas
1980: 52nd Street - Billy Joel
1981: Christopher Cross - Christopher Cross
1982: Double Fantasy - John Lennon e Yoko Ono
1983: Toto IV - Toto
1984: Thriller - Michael Jackson
1985: Can't Slow Down - Lionel Richie
1986: No Jacket Required - Phil Collins
1987: Graceland - Paul Simon
1988: The Joshua Tree - U2
1989: Faith - George Michael
1990: Nick of Time - Bonnie Raitt

1991: Back on the Block - Quincy Jones e varios artistas
1992: Unforgettable... with Love - Natalie Cole
1993: Unplugged - Eric Clapton
1994: The Bodyguard - Whitney Houston
1995: MTV Unplugged - Tony Bennett
1996: Jagged Little Pill - Alanis Morissette
1997: Falling into You - Celine Dion
1998: Time Out of Mind - Bob Dylan
1999: The Miseducation of Lauryn Hill - Lauryn Hill
2000: Supernatural - Santana
2001: Two Against Nature - Steely Dan
2002: O Brother, Where Art Thou? - varios artistas
2003: Come Away with Me - Norah Jones
2004: Speakerboxxx/The Love Below - Outkast
2005: Genius Loves Company - Ray Charles e varios artistas
2006: How to Dismantle an Atomic Bomb - U2
2007: Taking the Long Way - Dixie Chicks
2008: River: The Joni Letters - Herbie Hancock
2009: Raising Sand - Robert Plant & Alison Krauss
2010: Fearless - Taylor Swift
2011: The Suburbs - Arcade Fire
2012: 21 - Adele
2013: Babel - Mumford & Sons
2014: Random Access Memories - Daft Punk
2015: Morning Phase - Beck
2016: 1989 - Taylor Swift
2017: 25 - Adele
2018: 24K Magic - Bruno Mars
2019: Golden Hour - Kacey Musgraves
2020: When We All Fall Asleep, Where Do We Go? - Billie Eilish
2021: Folklore - Taylor Swift
2022: We Are - Jon Batiste
2023: Harry's House - Harry Styles
2024: Midnights - Taylor Swift
2025: Cowboy Carter - Beyonce

1963-1990
1991-2000
2001-2010
2011-2020
2021-2030
1935--1939
  • "The Continental" de Con Conrad & Herb Magidson (1935)
  • "Lullaby of Broadway" de Harry Warren & Al Dubin (1936)
  • "The Way You Look Tonight" de Jerome Kern & Dorothy Fields (1937)
  • "Sweet Leilani" de Harry Owens (1938)
  • "Thanks for the Memoryl" de Ralph Rainger & Leo Robin (1939)
1940--1949
1950--1959
1960--1969
1970--1979
1980--1989
1990--1999
2000--2009
2010--2019
2020--presente
1960 - 1969
1970 - 1979
1980 - 1989
1990 - 1999
2000 - 2009
2010 - 2019
2020 - presente
O ano refere-se ao da producao da cancao para o filme. O premio e normalmente entregue no ano seguinte.
1996-1999
2000-2009
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2020-presente
Obs.: O ano refere-se ao de producao do filme. O premio e normalmente entregue no ano seguinte.
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