Sociedade
Ditadura
Como deveria ser o ataque a bomba no Riocentro
Planejado inicialmente para ocorrer em 1980, o ataque a bomba no Riocentro contava com diferentes equipes para executa-lo e fazer com que parecesse obra de militantes de esquerda contrarios a ditadura.
A ideia era que quatro bombas fossem explodidas para gerar panico entre os presentes ao show do "Dia do Trabalhador". A intencao era que o ataque repercutisse na opiniao publica a necessidade de maior endurecimento.
Segundo denuncia do Ministerio Publico Federal, quatro equipes foram designadas para a execucao do atentado a bomba. Entenda o que estava previsto para cada uma delas fazer:
Primeira equipe - Responsavel por instalar tres bombas no pavilhao, chegou com os artefatos no Puma, dirigido pelo proprietario Wilson Luiz Chaves Machado ("Dr. Marcos) e com o sargento Guilherme Pereira do Rosario ("Agente Wagner") no banco do passageiro. A missao, no entanto, falhou quando a bomba manuseada por Rosario explodiu no colo do sargento. Alem de ferir gravemente o motorista, destruiu portas e para-brisa do carro e decepou as maos de Rosario, estracalhou sua barriga, arrancou seu penis, e arremessou pedacos de seu corpo a uma distancia de mais de 30 metros.
Segunda equipe - Chefiada pelo coronel Freddie Perdigao Pereira ("Dr. Flavio"), a equipe era responsavel por detonar a bomba contra a estacao de eletricidade do local para panico naqueles que assistiam ao show. O artefato, no entanto, errou o alvo, e nao teria potencia suficiente para destruir a estacao de luz. Alem disso, mostrou-se uma acao equivocada, uma vez que o Riocentro possuia geradores e o maximo que poderia acontecer seria apagar as luzes dos banheiros.
Terceira e quarta equipes - Do lado de fora do pavilhao do Riocentro estavam a terceira e quarta equipes operacionais, que tinham de forjar evidencias da autoria do atentado, fazendo parecer que havia sido obra de movimentos contrarios a ditadura. Enquanto uma parte prenderia ilegalmente inocentes para que a farsa parecesse real, a quarta equipe tinha a tarefa de promover a pichacao de placas e muros nas redondezas do Riocentro om os dizeres "VPR" (sigla da Vanguarda Popular Revolucionaria), alem de fabricar documento encaminhado aos jornais atribuindo a autoria do atentado a um desconhecido "Comando Delta".
Nao e demais lembrar que para a acao ter exito o coronel Nilton de Albuquerque Cerqueira, um dos seis denunciados pela Procuradoria, tinha ciencia do planejamento do atentado para aquele dia 30 de abril de 1981 e colaborou para que a acao acontecesse sem maiores empecilhos. Para isso, exonerou o antigo comandante do 18o Batalhao em 28 de abril de 1981; marcou a passagem de comando ao novo comandante para o proprio dia 30 de abril; agendando-a para o horario das 15h - "algo fora dos padroes da PMERJ" - a fim de impedir que o novo comandante estivesse a par de todas as escalas e afazeres do Batalhao -; viajou no dia 30 de abril para se reunir com militares do alto escalao das Forcas Armadas em Brasilia, de onde deu ordem por telefone para suspender o policiamento de 40 PMs que cuidariam do transito e seguranca na regiao do Riocentro.