Ulrich von Brockdorff-Rantzau
| Ulrich von Brockdorff-Rantzau | |
|---|---|
| Nascimento | 29 de maio de 1869 Eslesvico |
| Morte | 8 de setembro de 1928 (59 anos) Berlim |
| Cidadania | Alemanha |
| Alma mater | |
| Ocupacao | politico, diplomata, jurista |
| Titulo | conde |
| Causa da morte | cancer esofagico |
Ulrich Karl[1] Christian Graf von Brockdorff-Rantzau (Schleswig, 29 de maio de 1869 - Berlim, 8 de setembro de 1928) foi um diplomata alemao, primeiro ministro das relacoes exteriores da Republica de Weimar e embaixador na Uniao Sovietica durante a decada de 1920.
Inicio da vida e carreira no Imperio Alemao
[editar | editar codigo]Ulrich von Brockdorff-Rantzau nasceu em Schleswig em 29 de maio de 1869. Era filho de Graf Hermann zu Rantzau (1840-72), um funcionario publico prussiano (Regierungsassessor) da familia Rantzau e sua esposa, Grafin Juliane zu Rantzau, nascida von Brockdorff de Rastorf. Ulrich teve um irmao gemeo, Ernst Graf zu Rantzau (1869-1930), que mais tarde se tornou um Geheimer Regierungsrat.[2][3]
Em 1891, um tio-avo deixou-lhe a mansao Annettenhoh perto de Schleswig, e ele tomou o nome de "Brockdorff-Rantzau".[2][3]
Em 1888-91, estudou direito em Neuchatel, Freiburg im Breisgau, Berlim (Referendarsexamen em 1891) e Leipzig. Ele foi premiado com um Dr. jur. em Leipzig em 1891. Muito jovem para se juntar ao Auswartiges Amt (AA), o Ministerio das Relacoes Exteriores Imperial, ele se juntou ao exercito prussiano como Fahnenjunker e logo foi promovido a Leutnant no 1. Garderegiment zu Fuss (estacionado em Flensburg). Apos uma lesao, ele deixou o servico militar em 1893 e tornou-se diplomata no Ministerio das Relacoes Exteriores: como adido na AA em 1894, 1894-96 na Gesandtschaft alema em Bruxelas, 1896-97 no AA (departamento de politica comercial), 1897-1901 como Legationssekretar (secretario da embaixada) em Sao Petersburgo, 1901-09 em Viena, onde logo subiu para Legationsrat e, depois de uma curta estadia em Haia, em 1905 para Botschaftsrat. De 1909 a 1912 foi politico Generalkonsul em Budapeste e em maio de 1912 tornou-se enviado a Copenhague.[2][3]
Brockdorff-Rantzau opos-se as politicas prussianas sobre a Dinamarca e trabalhou para melhorar a relacao entre a Dinamarca e a Alemanha. Durante a Primeira Guerra Mundial, ele apoiou a neutralidade dinamarquesa e trabalhou para manter os lacos comerciais cruciais (carvao alemao para comida dinamarquesa) enquanto a guerra se arrastava.[2][3]
Entrou em contato proximo com sindicatos dinamarqueses e alemaes e conheceu o futuro presidente alemao Friedrich Ebert. Ele tambem foi fundamental para facilitar a passagem dos bolcheviques Vladimir Lenin e Karl Radek pela Alemanha em um trem selado em 1917.[2][3]
Foi-lhe oferecido o cargo de Staatssekretar des Auswartigen (Secretario de Estado dos Negocios Estrangeiros) apos a renuncia de Arthur Zimmermann em 1917, mas recusou porque nao acreditava que pudesse seguir uma politica independente da interferencia militar.[2][3]
Revolucao Alema e Tratado de Versalhes
[editar | editar codigo]Nomeacao como chefe do "The Auswartigen Amt"
[editar | editar codigo]Durante a Revolucao de 1918-1919, Friedrich Ebert e Philipp Scheidemann do Conselho dos Deputados do Povo pediram a ele no inicio de janeiro de 1919 para se tornar Staatssekretar des Auswartigen como o sucessor de Wilhelm Solf, a ultima pessoa a ocupar o cargo sob o Imperio que permaneceu no lugar mesmo quando o conselho tinha assumido como o governo real da Alemanha.[2][3]
Ele aceitou o cargo para liderar o Auswartigen Amt dependendo de cinco condicoes:[2][3]
- Uma assembleia nacional constituinte deveria ser convocada antes de 16 de fevereiro de 1919 para garantir que o Conselho de Deputados do Povo tivesse uma base constitucional.
- A notacao de credito da Alemanha deve ser restaurada para facilitar os emprestimos dos EUA.
- Um exercito republicano deve ser imediatamente criado para conter a perspectiva de uma revolucao comunista e criar uma posicao negocial mais forte para a Alemanha na conferencia de paz.
- Todas as medidas possiveis devem ser tomadas para afastar os Conselhos de Trabalhadores e Soldados do envolvimento no governo do Estado.
- Ele exigiu o direito de participar da solucao dos problemas internos e de rejeitar uma paz ditada se sentisse que ameacava o futuro da Alemanha.
O Conselho dos Deputados do Povo concordou com as quatro primeiras condicoes e ele recebeu a nomeacao, chegando a Berlim em 2 de janeiro de 1919.[2][3]
Em fevereiro, o titulo de Brockdorff-Rantzau mudou quando ele se tornou o primeiro Reichsminister des Auswartigen no AA no gabinete de Scheidemann. Embora por origem e natureza um membro da aristocracia, Brockdorff-Rantzau era um democrata convicto e aceitou totalmente a republica que havia substituido a monarquia. Ele insistiu em uma forte oposicao interna contra os revolucionarios de esquerda, no uso de principios democraticos na politica externa, ou seja, um direito de autodeterminacao tambem para os alemaes, uma Frieden des Rechts (paz legal) baseada nos Quatorze Pontos do presidente dos EUA Wilson. Isso significou para ele a unificacao do Reich com a Austria e a participacao na Liga das Nacoes para garantir a paz mundial.[2][3]
Conferencia de Paris e Tratado de Versalhes
[editar | editar codigo]Brockdorff-Rantzau liderou a delegacao alema que foi a Versalhes para receber o tratado acordado pela Conferencia de Paz de Paris entre os Aliados e os Estados associados.[2][3]
Em um discurso na Conferencia em 7 de maio de 1919, ele repudiou a alegacao de que a Alemanha e a Austria foram os unicos responsaveis pela guerra, embora ele aceitasse uma culpa parcial, especialmente em relacao ao que ficou conhecido como o estupro da Belgica. Ele ressaltou que ambos os lados devem estar vinculados aos Quatorze Pontos de Wilson.[2][3]
Brockdorff-Rantzau liderou o esforco da delegacao alema para escrever algumas contrapropostas que foram entregues aos Aliados em 29 de maio (e causaram consternacao em Berlim). Ele argumentou contra o que ele pensava ser uma falsa dicotomia entre "assinar" ou "nao assinar", e considerou as negociacoes escritas (os Aliados haviam se recusado a negociar cara a cara) uma alternativa para tornar a paz onerosa menos injusta e desonrosa para a Alemanha. Depois que se tornou obvio que os Aliados nao estavam dispostos a fazer quaisquer mudancas (exceto em questoes muito menores) ao projeto original do Tratado e que a Alemanha provavelmente o assinaria mesmo assim, ele renunciou ao seu cargo em 20 de junho de 1919, juntamente com Scheidemann e Otto Landsberg, protestando contra a assinatura do que ele pensava ser um Diktat.[2][3]
Carreira complementar
[editar | editar codigo]Nos anos seguintes, Brockdorff-Rantzau se interessou ativamente por questoes de politica externa e veio a publico varias vezes com argumentos para uma revisao do Tratado e o estabelecimento de uma lei mais racional das nacoes. Em 15 de julho de 1922, ele escreveu um memorando secreto para Friedrich Ebert, alertando para os perigos associados ao Tratado de Rapallo, pois isso causaria preocupacoes militares as potencias ocidentais. Ele argumentou que uma politica de jogar as grandes potencias umas contra as outras, como Bismarck havia feito, nao era mais possivel. No entanto, nomeado embaixador na Uniao Sovietica em novembro de 1922, ele favoreceu uma aproximacao entre os dois paises sem sacrificar os lacos alemaes com o Ocidente. Sua oposicao a cooperacao militar com os sovieticos levou a confrontos com o chefe do Reichswehr, Hans von Seeckt, bem como com o chanceler Joseph Wirth. Ele era muito critico dos Tratados de Locarno, que aproximavam a Alemanha da Franca e eram ressentidos pela lideranca sovietica.[2][3]
Brockdorff-Rantzau conseguiu obter o acordo sovietico para o Tratado de Berlim em abril de 1926, que estabeleceu uma relacao de neutralidade e nao agressao entre os dois paises. Ele sentiu que este pacto restaurou um equilibrio entre as ligacoes alemas para o leste e oeste. Brockdorff-Rantzau era tido em alta estima pelo governo sovietico e tinha uma boa relacao pessoal com o ministro das Relacoes Exteriores sovietico (Comissario do Povo das Relacoes Exteriores) Georgy Chicherin.[2][3]
Ele permaneceu neste posto ate sua morte em 8 de setembro de 1928, quando estava de ferias em Berlim.[2][3]
Publicacoes
[editar | editar codigo]- Patronat u. Compatronat. Dissertacao. Leipzig 1890 bis 1891.
- Dokumente und Gedanken um Versailles. Berlin 1925.
Referencias
Bibliografia
[editar | editar codigo]- KAES, Anton; JAY, Martin; DIMENDBERG, Edward. The Weimar Republic Sourcebook. University of California Press, 1995. ISBN 0-520-06775-4
- HOLBORN, Hajo. A History of Modern Germany: 1840-1945. Princeton University Press, 1982. ISBN 0-691-00797-7
- CRAIG, Gordon Alexander; GILBERT, Felix. The diplomats, 1919-1939. Princeton University Press, 1994. ISBN 0-691-03660-8
Ligacoes externas
[editar | editar codigo]- Literatura de e sobre Ulrich von Brockdorff-Rantzau (em alemao) no catalogo da Biblioteca Nacional da Alemanha