Ir para o conteudo

Governo Seyss-Inquart

Origem: Wikipedia, a enciclopedia livre.
Governo Seyss-Inquart

28.o Gabinete da Austria
1938
Ministros do governo de Arthur Seyss-Inquart, 11 de marco de 1938
Inicio11 de marco de 1938
Fim13 de marco de 1938
Duracao3 dias
Organizacao e Composicao
TipoDitadura
ChancelerArthur Seyss-Inquart
PresidenteWilhelm Miklas
PartidoPartido Nazista
Historico
EleicaoNenhuma
- Schuschnigg IV
(1934-1938)
Renner IV
(1945) -

O Governo Seyss-Inquart (tambem chamado de Governo do Anschluss) foi o ultimo governo federal da Austria antes da anexacao da Austria ao Reich Alemao, e existiu apenas de 11 a 13 de marco de 1938.

Formacao

[editar | editar codigo]

Sob o impacto do aumento das manifestacoes e desfiles dos nacional-socialistas, Kurt Schuschnigg anunciou, em 9 de marco de 1938, a realizacao de um referendo sobre a independencia da Austria. A data marcada para sua realizacao era ja o domingo seguinte, 13 de marco de 1938. Schuschnigg acreditava que o resultado seria favoravel a manutencao da Austria como pais independente. O secretario de Estado alemao Wilhelm Keppler tambem avaliava dessa forma e relatou o fato a Adolf Hitler em 10 de marco. Ainda naquela noite, Hitler ordenou a mobilizacao do Comando de Grupo 3 da Wehrmacht.[1]

Em 11 de marco, Hitler convocou o ministro austriaco Edmund Glaise-Horstenau, que se encontrava na Alemanha. Hitler considerou o referendo anunciado como uma violacao do Acordo de Berchtesgaden e ameacou com sancoes militares. Por meio de Odilo Globocnik, ele enviou um ultimato por escrito a Schuschnigg em Viena: o referendo deveria ser cancelado imediatamente, caso contrario a Wehrmacht iniciaria a invasao da Austria. Hermann Goring tambem reforcou essa exigencia e a ameaca por telefone. Diante disso, Schuschnigg decidiu cancelar o referendo. O ministro do Interior Arthur Seyss-Inquart informou Goring sobre essa decisao. No entanto, isso ja nao era suficiente para os alemaes. Eles passaram a exigir a renuncia do governo Schuschnigg e a formacao de um gabinete nacional-socialista liderado por Seyss-Inquart como chanceler federal, o qual deveria solicitar, como primeira medida, que tropas alemas fossem enviadas para manter a ordem.[2]

Schuschnigg renunciou entao ao cargo e anunciou sua decisao as 19h47, por radio:

"O senhor Presidente Federal me encarregou de comunicar ao povo austriaco que cedemos a forca".[3][4]

Ele tambem declarou ter ordenado as tropas do exercito austriaco que nao resistissem em caso de invasao:

"Pois, a qualquer custo, mesmo nesta hora grave, nao estamos dispostos a derramar sangue alemao. [...] Que Deus proteja a Austria!".[3][4]

Apos o discurso, manifestacoes nacional-socialistas ocorreram em todo o pais. Um desfile com tochas seguiu ate a Ballhausplatz (sede do governo). Em diversas capitais provinciais, nazistas tomaram as sedes dos governos estaduais e declararam os governadores depostos.[2]

O presidente Wilhelm Miklas ainda tentou, por algumas horas, convencer outros politicos a assumirem o cargo de chanceler no lugar de Seyss-Inquart, como exigia Goring. Por volta das 20h, Goring foi informado por telefone da renuncia de Schuschnigg. Ele ficou furioso por Seyss-Inquart ainda nao ter sido nomeado chanceler e ordenou entao a invasao imediata. Quando chegou uma falsa informacao de que tropas alemas ja haviam cruzado a fronteira, Miklas cedeu. As 23h14, o radio austriaco anunciou oficialmente a nomeacao de Arthur Seyss-Inquart como novo chanceler federal da Austria. [5]

O adido militar alemao, Wolfgang Muff, considerou naquele momento que uma invasao ja nao era mais necessaria e tentou telefonar para Hitler. Este, que ja havia ido dormir, foi acordado e respondeu irritado que nao haveria alteracao nas ordens: a invasao das tropas ocorreria na manha seguinte.[6]

Em 12 de marco, a 1h30 da madrugada, o conselheiro de Estado Hugo Jury anunciou o novo governo da sacada da Chancelaria Federal.[7]

Composicao

[editar | editar codigo]

A composicao do governo era a seguinte:[8]

Cargo Ministro Posse Fim do Mandato
Chancelaria Federal
Chanceler e Ministro Interino da Defesa Nacional 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Secretario de Estado do Chanceler da Seguranca Publica 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Secretario de Estado do Chanceler para a Formacao da Vontade Politica 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Vice-Chanceler 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Ministros
Ministro da Justica 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Ministro das Financas 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Ministro da Agricultura e Florestas 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Ministro do Comercio e Transportes 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Ministro dos Assuntos Sociais 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Ministro da Educacao 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Ministro das Relacoes Exteriores 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Secretarios de Estado
Secretario de Estado das Forcas de Seguranca 11 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Secretario de Estado 13 de marco de 1938 13 de marco de 1938
Secretario de Estado 13 de marco de 1938 13 de marco de 1938

O novo governo reuniu-se em conselho de ministros no dia 12 de marco de 1938 e aprovou uma lei federal para a alteracao e complementacao da regulamentacao cambial.[10][11]

Em 13 de marco, Seyss-Inquart apresentou ao conselho de ministros uma lei sobre a "Reunificacao da Austria com o Reich Alemao" para aprovacao, o que foi concedido. Segundo a constituicao, uma lei so teria validade apos ser assinada pelo presidente federal, por isso ela tambem foi submetida a Miklas. No entanto, este recusou-se a assinar, justificando ter prestado juramento ao "povo por um Estado austriaco independente". Miklas renunciou ao cargo, fazendo com que, conforme a constituicao, as funcoes do presidente federal passassem ao chanceler federal.

Tornando-se assim chefe de Estado por um curto periodo, Seyss-Inquart pode ele mesmo autenticar a lei de anexacao da Austria, com a qual a Austria deixou de ser um Estado independente com chanceler federal ou presidente federal.[12]

Exceto Michael Skubl - que renunciou ao seu cargo em 13 de marco - o governo estadual de Seyss-Inquart continuou atuando sob supervisao do governo do Reich em Berlim. Seu lider, Seyss-Inquart, foi nomeado Reichsstatthalter em 15 de marco.[13] Com a entrada em vigor da Ostmarkgesetz em 1 de maio de 1939, o governo foi dissolvido.

Referencias

  1. | Danchev, Alex (1994). Bulloch, John; Morris, Harvey; Series, Cambridge International Documents; Darwish, Adel; Alexander, Gregory; Freedman, Lawrence; Karsh, Efraim; al-Khalil, Samir; Rautsi, Inari, eds. <>. Review of International Studies (1): 97-106. ISSN 0260-2105. Consultado em 14 de junho de 2025
  2. | a b Leopold, John A. (1968). <>. The Historian (2): 199-218. ISSN 0018-2370. Consultado em 14 de junho de 2025
  3. | a b Hugo Portisch: Osterreich I: Die unterschatzte Republik. Kremayr & Scheriau, Wien 1989, ISBN 978-3-218-00485-5, S. 534 ff
  4. | a b <>. www.mediathek.at. Consultado em 14 de junho de 2025
  5. | Gulick 1948, pp. 1851-1852.
  6. | Hugo Portisch: Osterreich I: Die unterschatzte Republik. Kremayr & Scheriau, Wien 1989, ISBN 978-3-218-00485-5, S. 540 ff.
  7. | Um 13:44, 11 03 2008 (11 de marco de 2008). <<Regierung Seys-Inquart gebildet.>>. Die Presse (em alemao). Consultado em 14 de junho de 2025
  8. | Gulick 1948, p. 1852.
  9. | a b Wiener Zeitung 1938, p. 2.
  10. | <>. sciencev1.orf.at. Consultado em 14 de junho de 2025
  11. | <>. alex.onb.ac.at. Consultado em 14 de junho de 2025
  12. | Hugo Portisch: Osterreich I: Die unterschatzte Republik. Kremayr & Scheriau, Wien 1989, ISBN 978-3-218-00485-5, S. 546.
  13. | <>. alex.onb.ac.at. Consultado em 14 de junho de 2025

Bibliografia

[editar | editar codigo]